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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Um mau dia para Mount Hermon



A fotografia tem cerca de 50 anos e é das coisas mais estranhas que já vi durante um jogo. Mesmo na altura, quando a alteração de imagens não era comum, a fotografia era demasiado incrível para ser verdadeira. Ainda assim foi um clássico instantâneo, replicado em todos os jornais, de todo o mundo, com títulos que brincavam com a "rivalidade ardente" entre as duas equipas.

A fotografia é real. O que fez com que duas equipas e tantos adeptos continuassem com o desporto enquanto um edifício da escola de Mount Hermon, Massachusetts, onde o jogo decorria, ardia a este ponto? Eram muitas as teorias, levando a discussões sobre a devoção pouco saudável dos americanos ao football, capacidade de concentração de jogadores e árbitros, à falta de coerência das prioridades dos adeptos ou da falta de protocolos para lidar com incêndios.

A fotografia é real, mas engana. Na verdade o edifício está a 90 metros do campo. O jogo parou quando o fogo começou, mas os bombeiros quiseram manter toda a gente afastada e pediram para que o jogo continuasse, para que menos pessoas estivessem a atrapalhar.

Ao intervalo a equipa da casa perdia por 20-0 contra a Deerfield Academy. A última coisa que queriam ouvir é que o jogo ia continuar; o ar estava quente e as forças de que precisariam para dar a volta ao jogo começavam a faltar. Mas o jogo continuou. Enquanto muitos dos alunos combatiam o incêndio no edifício das ciências, os colegas começaram a dar a volta dentro de campo. 20-14, um touchdown de diferença, nos momentos finais, com a posse de bola para a equipa da casa. O treinador de Deerfield fez uma jogada defensiva arriscada, mudando um jogador de posição para que ele pudesse tentar placar o quarterback de Mount Hermon. Assim foi. Mount Hermon perdeu o jogo e o edifício das ciências no mesmo dia.

sábado, 14 de março de 2015

O "Combine"



Na viagem de regresso do nosso último jogo, um dos capitães da minha equipa explicou de uma maneira muito breve uma das coisas que faz do Futebol Americano um dos desportos mais espectaculares: a capacidade atlética dos jogadores.

Estava ele a dizer que, em conversa, começou a explicar o que é o Scouting Combine da NFL - um evento de uma semana onde se reúnem todos os candidatos ao draft desse ano, participando em provas físicas e mentais que são vistas e avaliadas pelos vários treinadores e GM's das equipas.


"Portanto, são uma espécie de testes que fazem aos jogadores para avaliar o potencial deles?", perguntaram-lhe. "Sim", respondeu ele, "só que aqui batem-se recordes do mundo". Byron Jones, no Combine deste ano, bateu o recorde do mundo de Standing Long Jump, uma competição que já foi Olímpica e que ainda faz parte de alguns campeonatos de atletismo. Jones bateu o recorde anterior de 3m47 com a marca de 3m73.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Os Jogos do Sério - Futebol Americano

No segundo número d'Os Jogos do Sério temos o "meu" desporto: Futebol Americano. Claro que a análise se foca mais no campeonato norte-americano, mas há coisas que servem também para os que se juntam a mandar umas bolas.



Watchability (isto é divertido de ver?): 7
Para ver ao vivo, é preciso que haja um ambiente incrível, caso contrário as interrupções frequentes podem tirar a pica do jogo. Ver pela televisão é bastante melhor porque os highlights  e as análises dos comentadores, cheias daqueles gráficos bonitos que os americanos usam, tornam a coisa muito mais fluida. O desporto em si é dos mais capazes de nos fazer saltar e berrar, e todo o espectáculo montado para cada jogo (e não é só na NFL, qualquer encontro da liga universitária americana tem milhares de pessoas a fazer um festão), ajuda a manter o ânimo. As regras básicas são fáceis de aprender, mas há muitas regras pequenas que nos deixam sem perceber algumas decisões dos árbitros. Aconselho que se veja com um grupo de amigos porque as reacções dos outros são do melhor.




Jogabilidade (isto é divertido e fácil de jogar?): 5
É bastante fácil de jogar, sobretudo porque existem várias funções em campo e cada uma tem um objectivo muito específico e limitado; por outro lado as pequenas regras e os playbooks são difíceis de entender à primeira. Além disso qualquer pessoa pode jogar, literalmente. Pequenos e grandes, mais ou menos atléticos, qualquer um tem corpo para o futebol americano. Na minha equipa temos gente entre os 55 e os 130kg, 1m60 e 2m. Divertido também é, porque existe sempre qualquer coisa que gostamos de fazer, desde o contacto físico dos linhas à velocidade e habilidade dos receivers. Mas é preciso gostar, ou pelo menos tolerar, o contacto físico duro e muitas pessoas desistem precisamente por isso. A repetição vezes e vezes sem conta das mesmas jogadas só serve para quem gosta de aperfeiçoar os mesmos movimentos e há jogadores que se cansam disso rapidamente.

Factor cool: 10
Tenho várias razões para este 10: o exotismo, as shoulder pads e capacetes - imagem de marca do desporto - e a espectacularidade das jogadas. Tudo isto conflui para criar um desporto com uma carga energética muito grande, associada a poderio e domínio físico num combate em campo.


Navigators vs Crusaders. A Liga Portuguesa de Futebol Americano está já na sexta edição

Handicap: -4
É preciso algum equipamento para jogar a sério. E o contacto físico é duro e não é para qualquer pessoa. As regrazinhas não ajudam nada a fluidez dos encontros e prejudicam tanto o espectáculo como a concentração dos jogadores.

FINAL SCORE: 18





sábado, 31 de janeiro de 2015

10 razões para ver o Super Bowl



A final da NFL deste ano é já este domingo, dia 1 de Fevereiro, às 18h30 Eastern Time (23h30 em Portugal). Estas são as minhas 10 razões para ver o Super Bowl:

1. O desporto em si é dos mais espectaculares que existem. Claro que eu sou parcial neste aspecto porque jogo Futebol Americano, mas para quem gosta de jogos tensos e rápidos não há muitos assim. As regras necessárias para comprender o jogo são mais fáceis do que parecem, e há a questão do jogo parar muitas vezes. Mas o tempo de bola corrida junta componentes mentais e físicas que poucos desportos conseguem juntar. Falarei mais sobre isto noutro post.

2. O Super Bowl é o apogeu deste desporto. Em todos os aspectos. Na qualidade das equipas, na espectacularidade da transmissão e em todo o ambiente que se gera à volta deste jogo.

3. Ver com os amigos. Devido às próprias características do desporto, muito propenso a grandes highlights, a festa é sempre grande. A minha equipa, os Crusaders, vai juntar-se no Hennesy's Irish Pub no Cais do Sodré, e essa é a melhor maneira de ver este jogo. Ou qualquer jogo.


Até o Obama junta os amigos para ver o Super Bowl

4. Os snacks. É uma tradição americana juntar os melhores snacks que se conseguirem arranjar para ver este jogo, e eu não vejo porque é que não pode passar a ser uma tradição cá.




5. A transmissão. Ver Futebol Americano ao vivo pode ser difícil, o jogo é muito comprido e tem muitas paragens, mas o talento das televisões e dos comentadores norte-americanos anula isso completamente. Repetições, highlights, explicações das regras, análises e muita emoção na voz melhoram toda a experiência, mesmo para quem não percebe nada do que está a ver.

6. A publicidade. Geralmente os anúncios são aquilo que não queremos ver na televisão. Sobretudo num desporto com tantas paragens, a coisa pode tornar-se maçadora. Mas não durante o Super Bowl: este dia é o supra-sumo da publicidade, ou não custassem cada 30 segundos de tempo de antena à volta de 4,5 milhões de dólares. É bom que se apliquem.




7. O espectáculo ao intervalo. O half time show do Super Bowl é único no mundo do desporto, e mostra bem a dimensão deste dia. Mesmo para quem não gosta do desporto em si tem sempre alguma coisa para ver; este ano temos a Katy Perry e o Lenny Kravitz.

7. Tom Brady, Rob Bronkowski e os New England Patriots. Para Tom Brady, esta é o sexto Super Bowl (segundo na lista de recordes), e já o ganhou por três vezes. Teve um playoff impressionante, onde mostrou um lado mais efusivo do que o normal. Gronk, o tight end da equipa, foi o melhor na sua posição durante a época e é fantástico ver a habilidade para correr rotas e apanhar a bola num tipo tão grande e pesado; é quase impossível de parar e vamos ver se a defesa dos Seahawks o consegue fazer.



8. Russel Wilson, Marshawn Lynch, Richard Sherman e os campeões em título Seattle Seahawks. Richard Sherman é sem dúvida um dos melhores defesas da liga. Ao contrário da maioria dos jogadores que faz a quantidade de trash talk que ele faz, é incrivelmente dedicado ao desporto e focado no seu trabalho, elevando o nível de empenho da sua equipa através da sua atitude. Muitos quarterbacks da liga costumam evitar lançar passes para a zona de Sherman, mas o mesmo não se passa com o Tom Brady e podemos ter situações para o defesa dos Seahawks brilhar. Wilson (quarterback) e Lynch (running back) são os homens-chave do ataque dos Seahawks e a versatilidade de Wilson a passar, correr ou entregar a Lynch, que parece um comboio a correr com a bola, tornam o jogo ainda mais espectcular. Os Seahawks vêm de uma vitória no prolongamento, numa reviravolta daquelas dos contos de fadas, sobre os Green Bay Pakers o que lhes dará uma motivação extra para revalidar o título.




9. É o único jogo do ano em que não é preciso ter o gamepass da NFL, SportTV ou tv pirata. Em Portugal já há alguns bares e cafés que passam o jogo, um pouco por todo o país. Vejam este site.

10. Wildcard. A minha 10ª razão ainda não aconteceu. Há sempre qualquer coisa memorável que acontece no jogo e toda a gente quer dizer que a estava a ver ao vivo e que o pub onde estava foi ao rubro. Ou é alguém que é apanhado a fazer qualquer coisa idiota pelas câmaras, ou há a "melhor fatiota de adepto de sempre", ou alguém quebra um recorde, ou um highlight que fica para a história.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Há poucas coisas que aproximam dois adversários; a lesão grave de outro atleta é uma delas

JScott images
Nos momentos finais do jogo entre os Grundy Center Spartans e Wapsie Valley Warriors, para liga de high-school de futebol americano, o quarterback dos Warriors, Andrew, marcou o touchdown que daria a vitória à sua equipa. Minutos depois perdeu os sentidos em campo e foi levado para o hospital com uma lesão na cabeça.
 
Assim que o árbitro apitou para o final do jogo, o center da equipa derrotada abraçou o seu antagonista (no futebol americano, os centers jogam frente a frente o tempo todo).
 
“For a while we just sat there and embraced. After a while I just let him know that us as the Spartans would be pulling for their community and praying for Andrew.”
 
Eu pratiquei desporto competitivo a minha vida toda, e sei que as rivalidades - por vezes não basta vencer o adversário no resultado, é preciso quebrar-lhe o espírito - são fomentadas desde muito cedo. "Os cortes é para serem feitos meio na bola, meio na canela", diziam os meus treinadores no futebol. Nos EUA é pior, porque o college é quase profissional (conseguir uma bolsa pode fazer toda a diferença na vida de um atleta, mesmo que depois não siga essa carreira) e a competição por um lugar numa das melhores universidades começa no liceu. Cria-se mentalidade de odiar o adversário porque só quem odeia mais pode sair vencedor. As coisas são mais sérias mais cedo.
 
Talvez precisamente por isso uma lesão grave, num desporto em que as lesões podem acontecer a qualquer momento (mesmo que não sejam tão comuns como poderíamos achar à primeira vista), possa aproximar dois adversários, ou duas comunidades desportivas inteiras.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A regra de "celebração excessiva" na NFL


Para quem não sabe, existe no Futebol Americano uma regra chamada excessive celebration, e que regula exactamente isso: aquilo que a NFL ou a College Football Association (que determina as regras usadas nas universidades americanas e no resto do mundo) consideram ou não excessivo numa celebração de um atleta em campo. No caso do college, por exemplo, qualquer celebração feita antes de o jogador passar a linha final e marcar o touchdown propriamente dito, é uma falta que leva à anulação do touchdown. A regra tem uma carrada de pequenas regras dentro (do género "não se pode fazer isto excepto neste caso") e é completamente idiota.



Este fim-de-semana voltou-se à vaca-fria. Husain Abdullah (defesa dos Kansas City Chiefs) levou uma penalidade por unsportsmanlike behaviour, especificamente por excessive celebration por se ter ajoelhado para rezar depois de ter marcado um touchdown, o segundo da sua carreira. As palavras do árbitro foram: "unsportsmanlike conduct, going to the ground". A regra diz: "Players are prohibited from engaging any celebrations while on the ground"; ainda assim, a NFL admite que rezar não se enquadra nesta regra e que nenhum jogador pode ser penalizado por isso.


O árbitro que assinalou a falta estava bastante próximo de Abdullah (é o árbitro que vemos com os braços no ar a assinalar o touchdown), mas, das três uma, ou não sabe que rezar é uma excepção nesta regra, ou não conhece a excepção, ou antão achou que Abdullah escorregou de joelhos demasiado tempo. Qualquer uma das opções é parva.
Outras coisas que esta regra inclui são: a) use of taunting acts or words that engender ill will between teams; b) prolonged or excessive celebrations, any celebrations while on the ground; c) two or more players engage in prolonged, excessive, premeditated or choreographed celebrations; d) possession or use of foreign or extraneous objects that are not part of the uniform during the game, or using the ball as a prop.

De todas estas, apenas concordo com a primeira sem qualquer excepção. As outras devem ser vistas caso a caso e a única regra que deveria ser aplicada é a do bom-senso. Aquilo que Hussain Abdullah fez não é nem poderia ser, mesmo que não tivesse sido para rezar, unsportsmanlike. Tal como aquilo que acontece no primeiro vídeo também não é nenhuma falta de respeito. Mas ambos os casos são defensáveis do ponto de vista do livro de regras.
Para mim, caberia aos árbitros a decisão em cada situação. Senão as complicações que a quantidade de alíneas e interpretações à regra causam chegam a um ponto absurdo como o deste caso. Tentar tornar mais óbvia a regra acrescentando alíneas e fazendo excepções só trará mais dores de cabeça aos árbitros, jogadores, adeptos e à própria NFL e CFL.



 Bonus level: sketch de Key & Peele sobre excessive celebration.

sábado, 27 de setembro de 2014

Linha-ofensivo não faz ideia do que se passa

O principal papel dos offensive linemans (#55 do vídeo) no futebol americano é proteger o quarterback (#2). Sem ninguém para bloquear, o #55 parece um pouco perdido na jogada; presumo que a equipa da defesa não tenha feito ninguém avançar pelo centro e tanto este linha como o #50 ficaram à procura de alguém em quem "bater". O que ele devia ter feito era olhado para os lados à procura de algum buraco que os seus colegas tenham deixado aberto. Se o tivesse feito talvez tivessem mantido a posse de bola e ele não teria feito má figura na jogada.

The Black Hole - os adeptos dos Oakland Raiders


Quando comecei a conhecer as equipas da NFL apercebi-me de que há montes de merchandising dos Oakland Raiders nas ruas de Portugal. Sempre me perguntei porquê, uma vez que os Raiders são das piores equipas da liga. Aparentemente tem a ver com a imagem de durões da equipa, e do próprio símbolo que metem na roupa, e a malta dos subúrbios gosta disso.

Mas nos EUA os adeptos dos Raiders, que se intitulam The Black Hole, levam a coisa mais a sério. É todo um evento a maneira como se preparam para os jogos. Não vi, em mais lado nenhum nem em nenhum outro desporto este aparato todo (mas vou continuar à procura). Têm aqui alguns exemplos:


 
 


 
 




 
 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Petit não é o treinador do Boavista

O verdadeiro treinador do Boavista é Daniel Silva. Esse é que tem o curso de treinador de nível 4, o Petit não passa de um adjunto com nível 2 (ou 3 se já o tiver feito entretanto).
 
Se formos ver Programa Nacional de Formação de Treinadores, o Petit, sendo um treinador de nível 2, pode "preparar, ministrar, rever e avaliar sessões de treino" e "demonstra competências básicas para o treino", mas não pode "planear, implementar, rever e avaliar programas multi-anuais de treino" nem "demonstra competências avançadas de treino, inovação e liderança". Claro que não tem, o Petit não andou a marrar para poder fazer aquilo que faz melhor que é mostrar aos seus jogadores aquilo que devem fazer. "Só o treinador de nível 4 reúne condições para realizar TODAS as tarefas".
 
 
Este documento parece uma piada. Logo no prefácio o ex-secretário de estado da juventude e do desporto, Laurentino Dias, ele diz assim: "Trata-se de reconhecer e dignificar a existência dos treinadores, a quem o desporto Português muito deve, mas que nem sempre são tidos em consideração". Então, ó Petit, não te sentes tão dignificado em nem sequer poderes dar uma flash interview?
 
E continua: "Trata-se de apostar numa das funções essenciais que permitem o desenvolvimento do desporto". Esqueceu-se de mencionar que os cursos de obtenção dos níveis são caríssimos (à volta de 600€ + IVA), e que muitos potenciais treinadores ficam imediatamente assim, em potência.
 
Não tive paciência para ler muito mais porque tudo isto me meteu nojo. A escolha de ter ou não um curso de treinador é dos próprios treinadores; e cabe aos clubes e apenas aos clubes exigirem um curso. Mais ninguém te nada a ver com isso. Eu nem gosto muito do Boavista, mas gostava de vê-los lá em cima este ano e que o Petit nunca faça o curso na sua vida.


Olhem lá para ele a supervisionar o treino com tanta pinta...
Mas na hora de planear estrategicamente, não contem com ele!
 
 
 
 

sábado, 20 de setembro de 2014

O pior "fake punt" da história

No futebol americano uma equipa dispõe de 4 jogadas para avançar 10 jardas no campo. Se não o conseguir fazer, a bola passará para o adversário no ponto até onde a equipa avançou. Por essa razão, se à 4ª jogada uma equipa estiver ainda demasiado próximo da sua linha de touchdown, muitas vezes optam por fazer um punt: um pontapé logo para a frente, entregando  a posso de bola mas fazendo a jogada de ataque adversária começar bastante mais atrás.
 
Uma jogada de punt tem as suas regras específicas e a equipa que o faz toma posições e mete em campo jogadores que indicam imediatamente que o vão fazer. Isso costuma ser uma vantagem para a equipa que defende, que pode posicionar-se de acordo e fazer também entrar os melhores jogadores para receber o punt. Por essa mesma razão, algumas equipas optam por fazer um fake punt: posicionam-se de maneira a indicar que vão chutar a bola, mas depois correm uma jogada normal tentando ganhar as jardas que faltam para terem novamente 4 hipóteses para avançar mais 10 jardas.
 
Foi exactamente isso que tentou fazer a equipa de Arkansas State, no campeonato do College Norte Americano. Fizeram-no de uma maneira horrível e que resultou numa intercepção de bola (ou seja, perderam muito mais jardas do que se tivessem apenas chutado a bola); mas valeu pelo divertimento.

1º passo: pôr um gunner em movimento. Os gunners são os jogadores dos extremos que arrancam assim que a bola é chutada para tentarem placar o adversário que vai receber a bola. Pôr um deles em movimento pode confundir a equipa que defende, mas é exactamente o oposto disso que se quer quando se faz um punt - queremos que eles achem que não se passa nada.

 
 
2º passo, e o melhor deles todos: ter um jogador que finge ter um colapso, ou qualquer coisa do género. Não entendo para o que é que isto serve, excepto para distrair a defesa. Não funcionou. Ninguém se preocupou com ele quando ele caiu, e assim que se levantou tinha um gajo em cima para o "passar a ferro".

 
 
 
 3º passo: ter o punter a atirar uma bola longa. Os punters são bons a chutar, mas a sua habilidade nos passes com a mão não costuma ser grande coisa. Foi o caso. O passe ficou curto - bem curto -  e interceptado.


Palavras do treinador de Arkansas: "Because of the formation we were in for that fake punt, Booker was covered up and couldn't go downfield, or it would be a penalty. So we said, 'What do we want to do with him? Do we want to bubble him or peel him out?' Someone said let's just let him be a fainting goat. I loved it, so we just put that in."

"Fainting goat". Adoro.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Vem aí o uso de repetições nas arbitragens de futebol

A propósito de dois artigos que escrevi (aqui e aqui): Joseph Blatter - que, vá-se lá saber porquê, muito se tem oposto à utilização da tecnologia no auxílio à arbitragem dos jogos de futebol - veio propor que se use um sistema parecido ao do hawkeye no ténis (em que os jogadores ou, no caso do futebol, os treinadores podem recorrer das decisões do árbitro), usando imagens televisivas em directo.
 
Este mesmo sistema começou a ser usado em 1999(!) na NFL. Com os anos de experiência que já têm, seria bom que a FIFA seguisse o exemplo daquilo que por lá funcionou ou não. Em actualizações constantes, já este ano sofreu nova modificação, cujo objectivo é acelerar o processo que demora mais tempo do que seria saudável para o desporto: todos os lances em que é necessária a revisão televisiva são vistos imediatamente por um comité central em Nova Iorque; o árbitro que está nesse Officiating Command Center vê as imagens e ajuíza ainda antes do árbitro principal do jogo (que tem a palavra final sobre qualquer decisão) chegar à cabine. O mesmo método é usado no baseball e discutido para a NBA.
 


 
 
 




terça-feira, 2 de setembro de 2014

Homofobia na NFL

A história de Michael Sam começou mal e acabou ainda pior. Sam tornou-se no primeiro jogador abertamente gay a ser "draftado" para uma equipa da NFL ao ser a 249ª escolha (de 256 jogadores) no draft deste ano. Boas notícias, mas nem por isso. Mike Sam tinha ganho o prémio para Melhor Jogador Defensivo da SEC, uma das conferências mais fortes do Futebol Americano universitário. Dos jogadores que tinham ganho este prémio, apenas 1 tinha ficado fora das 3 primeiras rondas, na posição #148. De todos os jogadores que ganharam este prémio em todas as conferências, apenas 3 ficaram abaixo da 6ª ronda e 75% foram escolhidos na 1ª ou 2ª ronda.
 
Os St. Louis Rams anunciaram que tinha sido uma decisão ligada, apenas, à vertente desportiva. Que nada tinha a ver com o facto de Sam ser gay. As estatísticas de Michael Sam eram fortes e não seria por isso que se afundaria no draft. É verdade que é um jogador baixo para jogar na sua posição na NFL (defensive end) mas nada o impediria de jogar a linebacker, excepto talvez a falta de experiência. Ainda assim, houve jogadores mais baixos do que ele a serem escolhidos acima no draft. Houve kickers e punters escolhidos antes dele (posições de pouca importância no Futebol Americano actual), tal como houve jogadores de conferências menores e com menos experiência a serem escolhidos. Na realidade, parece mesmo que Michael Sam se afundou no draft precisamente por ter assumido que era gay.
 
Se os St. Louis Rams não o tivessem escolhido nessa posição, muito provavelmente nenhuma outra o teria feito. E se isso acontecesse, provavelmente nenhum jogador homossexual teria a coragem de o admitir como Sam o fez, sabendo que provavelmente estaria a arriscar a sua carreira.

de: Jeff Robertson/AP images

Depois de ter feito boas exibições na pré-época dos Rams, Michael Sam não resistiu aos cortes na equipa (de cento-e-qualquer-coisa jogadores para 53, que todas as equipas fazem) e não assinou contrato pela equipa, nem sequer para os 10 jogadores da practice squad. Já no sábado, 30 de Agosto, todas as outras equipas tinham recusado a cedência feita pelos Rams. A equipa continua a afirmar que não foi por causa das distracções nem por problemas de balneário que não contam com Sam; que é uma decisão, novamente, desportiva.
 
A notícia do Bleacher Report sobre o caso resume tudo, desde a culpa parcial dos media no assunto (por terem sobrecarregado o jogador e a equipa com atenção indesejada) até à completa estupidez de não assinar um jogador que demonstrou, mesmo até já durante a pré-época da NFL - a jogar contra equipas da NFL -, as qualidades que Sam tem. Diz Mike Freeman, jornalista que escreve esse artigo:

"O Sam não ter conseguido [entrar na NFL é tão inacreditável] como ver o Abominável Homem das Neves no capô de um OVNI"