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segunda-feira, 11 de julho de 2016

O dia de Portugal



Ontem, dia 10 de Julho, foi um dia histórico para o desporto português. De manhã, Sara Moreira conquistou o ouro e Jéssica Augusto fechou o pódio. O 12º lugar de Dulce Félix garantiu ainda a vitória por equipas.



Depois, no triplo salto feminino, Patrícia Mamona venceu a prova no sexto e último salto, a 14m58, 20cm acima do seu recorde pessoal e nacional. No 5º lugar da mesma prova terminou Susana Costa que, com 14m34, bateu também o seu recorde pessoal.




Mais tarde seria feita história no lançamento, com Tsanko Aranudov a conquistar a primeira medalha de sempre, neste tipo de provas, para o nosso país. 20m59 logo no primeiro lançamento garantiram ao português a medalha de bronze.


Portugal termina o Campeonato Europeu de Atletismo com seis medalhas, três de ouro, uma de prata e duas de bronze, no 7º lugar de entre os 32 países participantes.

Num dia incrivelmente chuvoso nos pirinéus franceses, Rui Costa conseguiu finalmente integrar uma fuga. Tom Dumoulin foi mais forte nesse grupo e cortou a meta 38 segundos antes do português, que bateu Rafal Majka no sprint pelo segundo lugar. Rui Costa é agora 48º na geral, mas o próprio já referiu que a classificação final não é o objectivo para este ano e que vai continuar a lutar pelas vitórias em etapas.


De noite foi a festa que todos conhecem. Portugal é Campeão Europeu de futebol, num dos anos mais improváveis para o ser pelas exibições no percurso até à final. Com Cristiano Ronaldo a sair lesionado bem cedo no jogo e Éder - de todos, foi o Éder! - a coroar uma óptima exibição com o golo da vitória, o caminho desta selecção dará uma boa história.









domingo, 16 de agosto de 2015

Ficou mais difusa a divisão entre homens e mulheres no atletismo

Relacionada com a questão da divisão entre mulheres e homens no desporto, de que tenho escrito bastante, está a posição dos atletas andróginos, sobretudo das mulheres que produzem mais testosterona do que o considerado normal. Mas este mês, o tribunal que rege estas questões esbateu mais a linha que divide homens e mulheres, acrescentando: "Nature is not neat. There is no simgle determination of sex".




Tratando especificamente do caso da sprinter sub-18 indiana, Dutee Chand, que tinha sido proibida de competir em 2014 por ter hiperandroginismo, ou seja, por ter mais testosterona produzida naturalmente pelo seu corpo do que o limite para atletas femininas, o Tribunal Arbitral do Desporto declarou que "foi incapaz de concluir que atletas femininas hiperandróginas possam beneficiar de uma tal vantagem de performance que seja necessário impedi-las de participarem nas categorias femininas" (escusado será dizer que também não podiam participar nas masculinas, ficando portanto banidas do desporto oficial).

O tribunal disse ainda que "existindo categorias masculinas e femininas, será necessário que o IAAF formule uma base para a divisão de atletas nessas categorias (...) A base escolhida deve ser necessária, razoável e proporcional para legitimar o objectivo que se quer atingir." Ora, na minha opinião, isto apenas abre a discussão sobre a abolição formal destas barreiras, permitindo que mulheres e homens compitam nas mesmas ligas e provas. Numa altura em que também fora do desporto se põe em causa as definições tradicionais de homem e mulher, esta discussão vem totalmente a propósito e pode muito bem servir como exemplo para tudo o resto.

Dutee Chand rejeitou as recomendações que lhe fizeram para que tomasse medicação ou que fizesse cirurgia para reprimir a produção de testosterona do seu corpo.
"What I had to face last year was not fair. I have a right to run and compete. But that right was taken away from me. I was humiliated for something that I can't be blamed for. I am glad that no other female athlete will have to face what I have faced, thanks to this verdict"