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domingo, 19 de junho de 2016

A festa nas bancadas

Desengane-se quem acha que os adeptos não têm importância num jogo de futebol. Bastariam as estatísticas de resultados em Casa vs Fora para mostrar que isso não se deve apenas à maior ou menor habituação ao terreno e ambiente. Mais importante do que isso, os adeptos que estão presentes contribuem para o sentimento geral da equipa, nesse jogo e nos seguintes - um público que apoia incondicionalmente ajudará a acalmar uma equipa e isso tornará os seus jogadores mais confiantes, enquanto que adeptos mais nervosos e insatisfeitos fazem uma equipa tremer e jogar com ansiedade.

E depois há estes. Não faço ideia de que efeito têm na equipa que apoiam.


O meu top 3:

- You've only scored four / you've only scored four / how shit must you be / you've only score four

- We lose every week / we lose every week / you're nothing special / we lose every week (boa maneira de desmotivar o adversário durante uma vitória)

- We're gonna win 5-4 / We're gonna win 5-4 / We're gonna win 5-4 / 5-4!!!










domingo, 19 de julho de 2015

Jaden Newman quer ser a primeira mulher na NBA



Jaden tem 10 anos e joga na equipa principal da Downey Christian School, uma escola secundária privada, desde os 7. Isso quer dizer que Jaden joga contra raparigas de 17 anos. E é titular. Mais impressionante do que isso, Jaden domina: 30,5 pontos, 9,2 assistências e 6,0 roubos de bola por jogo, na época passada.

Estamos a falar de uma liga em que os resultados muito raramente chegam acima dos 70 pontos, o que significa que Jaden marca quase metade dos pontos da sua equipa. Esse tipo de desiquilíbrios é comum nas ligas juvenis, mas nunca vindo de alguém tão novo.

Jaden sempre jogou com os rapazes e sempre foi melhor do que eles. Aos 7 anos entrou para a equipa  feminina de Varsity (ou seja, a equipa principal da escola). O pai é o treinador principal da equipa e, como é óbvio, muitas pessoas dizem que só por isso é que uma miúda tão nova pode estar ali. Mas isso é antes de a verem jogar.

Jaden é nova o suficiente para ter o sonho de jogar na NBA e ser a primeira mulher a fazê-lo; o cepticismo de quem luta para mudar as coisas e não vê resultados disso só vem com a idade. Talvez as coisas venham a evoluir o suficiente para acompanhar o seu crescimento, uma vez que a nossa sociedade parece estar a ficar mais maleável nestes assuntos. Talvez Jaden consiga ser de facto a primeira mulher na NBA. E é isso que lhe dá o combustível para continuar a trabalhar. 

Como disse aqui há uns tempos, não é só a capacidade física que determina a qualidade de um jogador: factores como o tempo de imersão no desporto, o incentivo externo dos pais e colegas, a qualidade dos treinos e da liga e a motivação pessoal são tão ou mais importantes. A Jaden não lhe falta nenhuma destas coisas e é por isso que ela domina o seu desporto, mesmo entre rapazes.

A capacidade de Jaden sonhar e lutar por esse sonho começa a mudar também as pessoas à sua volta. Vemos isso neste breve documentário da Bleacher Report: quem a conhece, sonha também. Só quem não tem tecto para as suas aspirações tem liberdade para atingir o seu potencial e isso é algo que as mulheres, no desporto, quase nunca tiveram.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A importância do desporto II - neurónios espelho

Para conseguir explicar o impacto que o desporto tem em nós é preciso começar por algo mais genérico: a maneira como o nosso cérebro funciona. Algures durante a nossa evolução desenvolveram-se, mais do que noutras espécies, os neurónios espelho - aquilo que nos permite aprender não apenas quando fazemos uma coisa mas também quando vemos uma coisa a ser feita. Para uma análise mais detalhada vejam este artigo

Quando vemos uma acção a ser feita cerca de 1/5 dos neurónios relacionados com essa acção disparam no nosso cérebro, o que nos permite entender imediatamente a acção que está a ser feita e qual é o seu objectivo. Inclusivamente permitem-nos compreender as emoções provocadas pela acção e pelo seu resultado. Estes 20% são um número suficiente para, por vezes, provocar alterações nos nossos batimentos cardíacos e respiração, mesmo que só estejamos a ver qualquer coisa pela televisão.


Os neurónios espelho também explicam, em parte, por quem torcemos num jogo. Marco Iacoboni, especialista no estudo destes neurónios, diz o seguinte: "É sabido que temos tendência para imitar pessoas que são mais como nós. Quando estou a ver o Federer a jogar contra o Djokovic, é mais provável que vá "espelhar" mais o Federer porque gosto mais dele". Isto é algo que pode definir a nossa preferência clubística ou que jogadores gostamos mais de seguir nos diferentes desportos; é importante referir que não será apenas a habilidade física que determina essa predilecção mas também o quanto nos identificamos com a pessoa ao nível do comportamento e discurso, uma vez que tudo isso faz disparar os nossos neurónios espelho.

Para além de nos permitirem receber do desporto todas as coisas fantásticas deste mundo (e das quais falarei noutros posts), os neurónios espelho têm duas funções imediatas que fundamentais para a importância do desporto. 

Primeiro, com o desporto podemos melhorar a maneira como o nosso corpo se mexe, vendo pessoas com uma habilidade acima da média a fazê-lo. Chutar ou encestar uma bola não terá uma correspondência directa no dia a dia, mas são gestos semelhantes aos que fazemos e que aprendemos a fazer vendo os outros.


Resta aquela que talvez seja a melhor coisa que os neurónios espelho nos dão, sobretudo quando falamos de desporto: se os neurónios espelho fazem disparar cerca de 20% da actividade mental (claro que, para isso, temos de estar realmente embrenhados na acção a decorrer) da que teríamos se realmente fizéssemos aquela acção, significa que temos imediatamente acesso a uma parte do positivo e negativo - da energia vital - que é inerente ao desporto. Qualquer adepto pode esperar sentir-se mais vivo com todas as emoções que os jogadores em campo transmitem a quem os vê, só por estar a vê-los.


So in a last phone call, I asked Iacoboni if mirror neuron activity made us feel good. 

“Oh, yeah,” he said. “Although this is something very hard to prove, it makes a lot of sense. If this system is important for the things we believe it is, which is social cognition, understanding the mental states of others, empathizing with others, and how to learn things just by watching others, evolution must have devised something that makes us feel good when we activate these cells, which makes us do it more and more, because that is an adaptive mechanism. The popularity of watching sports is a good demonstration of this.”






sábado, 3 de janeiro de 2015

Top 10 de afundanços de 2014

Gosto muito de ver NBA. Gosto ainda mais de ver highlights da NBA. Aqui estão os 10 melhores dunks de 2014.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Há poucas coisas que aproximam dois adversários; a lesão grave de outro atleta é uma delas

JScott images
Nos momentos finais do jogo entre os Grundy Center Spartans e Wapsie Valley Warriors, para liga de high-school de futebol americano, o quarterback dos Warriors, Andrew, marcou o touchdown que daria a vitória à sua equipa. Minutos depois perdeu os sentidos em campo e foi levado para o hospital com uma lesão na cabeça.
 
Assim que o árbitro apitou para o final do jogo, o center da equipa derrotada abraçou o seu antagonista (no futebol americano, os centers jogam frente a frente o tempo todo).
 
“For a while we just sat there and embraced. After a while I just let him know that us as the Spartans would be pulling for their community and praying for Andrew.”
 
Eu pratiquei desporto competitivo a minha vida toda, e sei que as rivalidades - por vezes não basta vencer o adversário no resultado, é preciso quebrar-lhe o espírito - são fomentadas desde muito cedo. "Os cortes é para serem feitos meio na bola, meio na canela", diziam os meus treinadores no futebol. Nos EUA é pior, porque o college é quase profissional (conseguir uma bolsa pode fazer toda a diferença na vida de um atleta, mesmo que depois não siga essa carreira) e a competição por um lugar numa das melhores universidades começa no liceu. Cria-se mentalidade de odiar o adversário porque só quem odeia mais pode sair vencedor. As coisas são mais sérias mais cedo.
 
Talvez precisamente por isso uma lesão grave, num desporto em que as lesões podem acontecer a qualquer momento (mesmo que não sejam tão comuns como poderíamos achar à primeira vista), possa aproximar dois adversários, ou duas comunidades desportivas inteiras.