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domingo, 16 de agosto de 2015

Ficou mais difusa a divisão entre homens e mulheres no atletismo

Relacionada com a questão da divisão entre mulheres e homens no desporto, de que tenho escrito bastante, está a posição dos atletas andróginos, sobretudo das mulheres que produzem mais testosterona do que o considerado normal. Mas este mês, o tribunal que rege estas questões esbateu mais a linha que divide homens e mulheres, acrescentando: "Nature is not neat. There is no simgle determination of sex".




Tratando especificamente do caso da sprinter sub-18 indiana, Dutee Chand, que tinha sido proibida de competir em 2014 por ter hiperandroginismo, ou seja, por ter mais testosterona produzida naturalmente pelo seu corpo do que o limite para atletas femininas, o Tribunal Arbitral do Desporto declarou que "foi incapaz de concluir que atletas femininas hiperandróginas possam beneficiar de uma tal vantagem de performance que seja necessário impedi-las de participarem nas categorias femininas" (escusado será dizer que também não podiam participar nas masculinas, ficando portanto banidas do desporto oficial).

O tribunal disse ainda que "existindo categorias masculinas e femininas, será necessário que o IAAF formule uma base para a divisão de atletas nessas categorias (...) A base escolhida deve ser necessária, razoável e proporcional para legitimar o objectivo que se quer atingir." Ora, na minha opinião, isto apenas abre a discussão sobre a abolição formal destas barreiras, permitindo que mulheres e homens compitam nas mesmas ligas e provas. Numa altura em que também fora do desporto se põe em causa as definições tradicionais de homem e mulher, esta discussão vem totalmente a propósito e pode muito bem servir como exemplo para tudo o resto.

Dutee Chand rejeitou as recomendações que lhe fizeram para que tomasse medicação ou que fizesse cirurgia para reprimir a produção de testosterona do seu corpo.
"What I had to face last year was not fair. I have a right to run and compete. But that right was taken away from me. I was humiliated for something that I can't be blamed for. I am glad that no other female athlete will have to face what I have faced, thanks to this verdict" 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O estado do desporto em Portugal



O Comité Olímpico de Portugal (COP) entregou no parlamento e às federações, dia 9 de Abril, um documento que retrata o panorama geral do desporto no nosso país. As conclusões principais que expõem servem para desmanchar o mito de que a falta de resultados é uma questão de falta de finaciamento. Também é, mas não só.
"Portugal tem um número diminuto de modalidades na primeira linha da alta competição mundial e, nas que alcançam esse estatuto, o número de atletas é igualmente diminuto. Os êxitos individuais em competições de primeira grandeza são devidos, na sua maioria, a 'exemplares únicos', circunstancialmente emergentes de contextos particulares e normalmente irrepetíveis, que não reflectem nem podem assegurar ao país um nível representativo estabilizado."
- relatório do COP



Este é o principal sintoma identificado no relatório e que deve servir de base para a discussão sobre o estado do desporto em Portugal. Não concordo totalmente com a primeira afirmação - para um país pequeno, estamos presentes a um bom nível em vários desportos diferentes, o que significa que, ou o potencial existe, ou os atletas que mostram resultados acabam por ter os mesmos apoios e condições que os atletas de topo nas várias modalidades (o que é bem possível, uma vez que no desporto nacional muitas vezes se mete os ovos todos no mesmo cesto). Quanto ao resto, não há dúvida de que a análise é correcta, talvez com a excepção do ténis de mesa - um fenómeno que talvez valha a pena analisar - e do futebol pelas razões conhecidas, e onde mesmo assim se depende de meia dúzia de talentos. O pior é mesmo a falta de consistência dos resultados, mesmo em desportos colectivos, estando as várias selecções dependentes do desempenho de alguns atletas chave; aumenta a pressão em cima desses atletas e as frustrações são mais comuns porque não há um plano B.

Outra crítica apontada pelo COP é a disseminação mais ou menos caótica de Centros de Alto Rendimento por todo o país. 

"Há alguma coisa estranha quando um país como Portugal, com défice de prática desportiva, apresenta números de CAR superiores a outros países [cerca de duas dezenas] (...) Muitas infra-estruturas estão aquém do que podiam oferecer porque não foram adequadas, tanto na localização como nas medidas de gestão."
- José Manuel Constantino, presidente do COP

Já Vicente Moura, anterior presidente do Comité, tinha criticado a construção dos CAR em 2013, lamentando "que não sejam conhecidos os critérios que deram origem à construção dos centros de alto rendimento, e que não tenha sido estudada a sua forma de gestão." Defendeu na altura aquilo que faz mais sentido num país com a nossa dimensão: que existissem três CAR (eu diria três mais um em Lisboa, para que não se concentrasse tudo, mais uma vez, nas principais cidades) nas zonas que fizessem mais sentido, com todas as valências. 

Este último ponto, o da multidisciplinariedade, é o mais relevante. Criar um CAR em Montemor-o-velho para desportos náuticos, um nas Caldas da Rainha para o Badminton e um em Peniche especificamente para Surf, mesmo que faça sentido pelo facto de lá estarem as federações ou os principais praticantes, acaba por condená-los ao quase abandono e elimina as grandes vantagens de concentrar várias modalidades num mesmo sítio. 

Centro de Alto Rendimento, Caldas da Rainha

Lembro-me bem quando foi criado o CAR de Badminton nas Caldas da Rainha, porque praticava a modalidade na altura: óptimas condições e mais tempo de imersão na modalidade, que se fizeram sentir nas performances dos principais atletas, mas um nítido sub-aproveitamento do espaço pela especificidade da utilização, que não tinha expressão real na zona e não era utilizado sem ser por atletas em preparação para grandes provas ou durante os torneios raros para o campeonato nacional - a população da região, por exemplo, pouco interesse tinha na infra-estrutura.

"Não podemos desvalorizar a questão do financiamento (...) Mas a questão do financiamento não pode ser a questão decisiva. Se colocarmos a tónica exclusivamente no financiamento estamos a criar uma ilusão. O desporto precisa de mais recursos financeiros, mas também de outras medidas que complementem o fluxo financeiro, sob pena de colocarmos o dinheiro em cima dos problemas e continuarmos com os problemas. É necessário que outros factores ocorram: a formação dos técnicos, a melhoria da resposta do tecido associativo, a educação física nas escolas" 
- José Manuel Constantino, presidente do COP

A questão das escolas é, provavelmente, a mais importante, com uma falta de orientação latente: ora se fazem medidas que sublinham a importância do desporto para o bem-estar dos alunos, ora se lhe retira peso curricular. A escola é muitas vezes o primeiro sítio onde temos contacto com o desporto e influencia muito o peso que tem na nossa vida futura, o quanto gostamos de o fazer e quanto tempo passamos a fazê-lo (duas coisas fundamentais, talvez as principais, para formar bons atletas). Talvez seja uma boa altura para estudar o modelo americano, onde não só se formam atletas incríveis com os quais ninguém consegue competir, mas também onde o desporto tem um impacto mais positivo na sociedade.




sexta-feira, 13 de março de 2015

As diferentes maneiras de recordar um atleta

Há alturas em que o jornalismo desportivo português é um desgosto. Dia 10 de Março, um acidente entre dois helicópteros fez 10 vítimas mortais, entre as quais 3 atletas franceses (Camille Muffat, Alexis Vastine e Florence Arthaud), quando iam a caminho do local onde seria filmado um reality show - Dropped - seriam largados "no meio do nada" e teriam de regressar à base sem ajudas externas.

O "Record" do dia seguinte pintou uma história desinspirada sobre o assunto, lá nas últimas páginas e sob o tema "Modalidades", enumerando os atletas e alguns dos seus feitos, onde e a que horas se deu o acidente, referindo meia dúzia de reacções de outros atletas e François Hollande e compilando uma lista de outros acidentes aéreos envolvendo atletas. A reportagem começa assim: 

"Passadas mais de 24 horas do acidente que vitimou dez pessoas num choque entre dois helicópteros na Argentina, as causas continuam a ser desconhecidas, mas ninguém tem dúvidas que se trata da maior tragédia da história relacionada com a produção de um "reality show" de sobrevivência". 

Ler esta notícia nem é sequer triste, apesar do tema. Não faz nada por nós, não se esforça por recordar a memória dos atletas envolvidos nem nos aproxima do drama da situação.

Por sorte, li o "New York Times" do mesmo dia. Na capa tinha uma notícia com o título "She rode the waves, and broke barriers". Não reconheci quem era a pessoa na fotografia, mas percebi que seria alguém que tinha morrido num desastre de helicóptero no dia anterior. Era Florence Arthaud, apresentada pelo jornal como sendo "once the most popular sports figure in France: quite the achievement for a diminutive female sailor in a country with no shortage of soccer, rugby, basketball and tennis stars". A reportagem continuava na página 3 (sobre o acidente) e na página 13 (sobre Florence). A notícia sobre o acidente segue um caminho bastante normal, com as circunstâncias e os envolvidos, mas algumas citações dão-lhe uma profundidade digna do momento. Mas o texto sobre Florence Arthaud é completamente diferente e marcou a minha maneira de ver escrever sobre atletas. Resumo brevemente o artigo.



A sua popularidade nasce, primeiro que tudo, da ligação forte que os franceses têm com o acto de velejar, sobretudo a solo. 

"I think the French like solitary heroes: adventurers, travelers (...) I think our culture is more oriented toward the individual exploit, while the Angol-Saxons have a culture that's more oriented toward collective accomplishment. We seem to have trouble getting organized as a group", Isabelle Autissier, outra velejadora francesa. 

Quando, em 1990, Arthaud venceu a Route du Rhum, prova transatlântica quadrienal entre França e Guadalupe, ela venceu também o preconceito de que os homens são mais capazes de aguentar o rigor duma prova destas. Deram-lhe a alcunha de La Petite Fiancée de l'Atlantique e tornou-se numa estrela e num símbolo. Depois disso teve dificuldades em transformar esse feito em novas vitórias. Os problemas económicos em França nos anos 90 e o seu carácter tempestuoso tornaram difícil arranjar patrocinadores.

"Florence was someone extraordinary on the water but uncontrollable on land, and that worked against her. She ate. She drank. She smoked (...) That was without a doubt not to the taste of the sponsors. Look at today's sailors. They are more settled, more polished, more good boys", disse Autissier.

Arthaud não voltou a competir ao mais alto nível, mas isso não fez com que a geração seguinte de velejadores, e alguns até da sua geração, não se sentissem particularmente inspirados pela francesa. Autissier, Catherine Chabaud, Ellen MacArthur, todas grandes figuras do desporto e todas com um mesmo ídolo: Florence.

Participou pela primeira vez na Route du Rhum aos 21 anos, sendo a única mulher e a mais nova de entre todos os participante, terminando em 11º lugar. 12 anos depois bateu o recorde da travessia a solo do Atlântico mais rápida, em menos de 10 dias. Em Novembro do mesmo ano venceu a Route du Rhum. "Calm down!", gritou ao molhe de jornalistas e fotógrafos que a rodeavam depois dos 14 dias e 10 horas da prova em Guadalupe.

"I really don't think the world of sailors is a macho world. I think it's a world where people respect each other for their talents".
Em 2011, Florence Arthaud quase morreu quando caiu do seu barco durante a noite enquanto viajava na costa da Córsega. O veleiro continuou o percurso, em piloto automático, e Arthaud ficou para trás sem colete de salvação. Felizmente tinha ficado com o seu telemóvel e uma lanterna, com os quais conseguiu ligar a pedir assistência, que chegou duas horas depois. "I'm a surviver. The devil didn't want me". Arthaud viria a morrer quatro anos depois, num acidente de helicóptero.



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Nunca tinha ouvido falar de Florence Arthaud, mas esta breve notícia pintou-me uma imagem vívida de uma personalidade forte de alguém que fazia o que queria. E é assim que todos os grandes atletas, devem ser lembrados: pela maneira como nos tocaram fazendo aquilo que sabem melhor.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Regras do futebol ficam na Idade da Pedra mais um ano




Dia 28 de Fevereiro reuniu-se o International Football Association Board (IFAB) para discutir possíveis alterações às regras do futebol. A saber, estavam em cima da mesa decisões sobre:

- o fim do "castigo triplo" (que é quando um jogador de campo defende a bola com a mão e faz penalti, é expulso e leva uma suspensão),
- a existência de uma quarta substituição se o jogo for a prolongamento,
- o uso de tecnologias para medir a performance dos atletas
- e a existência de substituições flexíveis nas camadas jovens.

Para discussão (ficou logo bem claro que nenhuma decisão seria tomada sobre o assunto) estava também o uso das repetições em vídeo para ajudar os árbitros na tomada de decisões.

Primeiro que tudo: é só isto que têm para discutir num ano inteiro de futebol? Se formos ver a lista de alterações que este organismo fez ao futebol, percebemos que estas não são as pessoas mais proactivas do mundo - 6 alterações, 3 delas à mesma regra. Acho que 4 gajos sentados no café em dia de jogo abordam mais temas do que esta malta. Já agora, o IFAB é composto por 8 pessoas, 4 representantes da FIFA e um de cada uma das ligas britânicas. O voto vale o mesmo para todos e é necessário uma maioria de 3/4 para passar uma lei - que é o mesmo que dizer que se, ou a FIFA, ou os britânicos, não quiserem uma lei, ela não passa. Parece justo.

A decisão mais importante que tomaram foi relativamente ao "castigo triplo", e mesmo essa nem foi bem uma decisão - eventualmente, algures no futuro, esse jogador deixará de ser suspenso. É coisa para não abalar muito o mundo do futebol.

A quarta substituição não será introduzida, porque segundo eles não há razões para o fazer. Quem já viu meia-dúzia de jogos que foram a prolongamento e sabe que a qualidade do jogo cai bastante com a crescente fadiga física. As equipas partem-se ao meio e os defesas só defendem e os avançados só atacam. Há treinadores que decidem guardar uma substituição para o prolongamento, porque muitas vezes esse jogador faz a equipa inteira andar, unindo as duas metades. Mas talvez seja preferível os prolongamentos continuarem a parecer o Solteiros vs Casados do bairro.

A utilização de tecnologia para medir a performance dos jogadores será aceite, desde que a informação não seja usada durante o jogo. Tudo bem.

As substituições flexíveis (ou seja, o mesmo jogador poderá ser substituído e voltar a entrar) nas camadas jovens foram aceites; resta saber em que condições.

Quanto ao caso mais sério, a utilização do vídeo para apoiar os árbitros, ficou em águas de bacalhau. A razão principal para terem adiado a decisão é, justificam, que 1. é uma decisão muito importante para ser tomada de ânimo leve, "the biggest decision ever made in the way football is played" e 2. que precisam de mais informação.

Isto é preguiça ou falta de visão?
1: a biggest decision ever made não é esta, nem de longe. Isto nem sequer altera a maneira como se joga (talvez o teatro deixe de fazer parte do jogo, mas isso é bom!). Antigamente as equipas tinham 20 jogadores, não havia guarda-redes, as balizas não tinham altura máxima, o jogo durava duas horas ou mais e não havia foras-de-jogo. Isso sim foram alterações nos fundamentos do jogo, agora se os árbitros podem ou não fazer melhor o seu trabalho nem devia estar em discussão.
2: se precisam de mais informação vão aos EUA, eles usam isso em vários desportos e de maneiras diferentes, é como ir a um buffet: é só escolher. E se precisam realmente de mais informação, porque é que proibiram a Holanda de usar esse método na taça, quando isso poderia trazer-vos os dados que precisam sem terem de pôr o pescoço em risco (afinal, foram eles que se ofereceram)?

Quem são estas pessoas?


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

"We aren't robots"

Por cá já vamos estando habituados ao circo montado à volta dos desportistas. Em alguns casos já pouco separa a vida profissional e pessoal dos atletas, e em nenhum sítio tão pequena é essa separção como nos EUA. Os patrocinadores pagam bem para propagandear as personalidades dos seus jogadores, chamando a atenção para eles e fazendo com que os fãs se identifiquem com eles e se tornem cada vez mais leais. Esta abertura permite-nos uma melhor compreensão do que é preciso para ser um grande atleta, e as histórias inspiram milhares de pessoas. Mas com o bom vem o mau. Os jogadores passam cada vez mais tempo expostos; antes de entrarem em campo respondem a perguntas e assim que saem respondem novamente. Às vezes são entrevistados ao intervalo! No dia seguinte, em vez de treinar, têm um shoot publicitário, ou as filmagens para um documentário sobre a sua história pessoal. E alguns começam a chegar ao limite da paciência.

Depois de mais uma pergunta sobre a presumida fragilidade do lugar de Scott Brooks enquanto treinador dos Oklahoma City Thunder, uma das estrelas principais da equipa, Kevin Durant, foi curto e grosso com os jornalistas: "You guys really don't know shit". Mais tarde perguntaram-lhe em que tipo de questões preferia que os media se focassem. Mais uma vez a resposta não foi a que se estava à espera: 

"To be honest, man, I'm only here talking to y'all because I have to. So I really don't care. Y'all not my friends. You're going to write what you want to write. You're going to love us one day and hate us the next. That's part of it. So I just learn how to deal with y'all".

Kyle Terada - USA Today Sports




As críticas e respostas duras de Durant aos jornalistas aparecem pouco tempo depois de outra cena semelhante: Marshawn Lynch recusou várias vezes responder aos jornalistas durante o fim-de-semana do Super Bowl, dizendo que preferia concentrar-se no jogo. E com toda a razão.



Esta foi a primeira, em que apenas disse durante toda a entrevista "I'm here so I won't get fined".


Na segunda entrevista a resposta foi "You know why I'm here". Acho piada ao engraçadinho que, no fim, manda a boca de que ainda faltam uns segundos para acabar a entrevista. Tem piada, mas mostra que ele não percebeu realmente o porquê do protesto.

Eventualmente Lynch acabou por dar alguma resposta aos jornalistas, explicando que não queria dizer nada aos jornalistas para não deturparem o que diz, que queria concentrar-se no jogo e na sua família. Continuaram a fazer-lhe perguntas sobre multas da liga sobre o seu comportamento e equipamento fora das regras e ele voltou ao silêncio e às respostas vagas. 

Ainda há pouco tempo o Cristiano Ronaldo recebeu críticas aos montes por ter celebrado o seu 30º aniversário no dia da derrota do Real no derby de Madrid por 4-0. Numa festa marcada com antecedência e com a presença dos familiares que voaram de Portugal. Se calhar as críticas não foram pelo facto de a festa ter acontecido, mas porque o Ronaldo estava alegre e a cantar durante essa festa. Mas o que é que nós temos a ver com isso? É claro que ele estava contente, era a festa de anos dele! Estava rodeado de amigos e a última coisa em que ele queria pensar era na derrota. O Cristiano Ronaldo é conhecido por ser um dos desportistas mais dedicados do mundo e é incrível a pressão a que foi sujeito - por ter feito algo que apenas diz respeito à sua vida pessoal - ao ponto de ter vindo pedir desculpas aos adeptos (uma coisa que não combina bem com a personalidade de Ronaldo, que costuma estar bem com a sua consciência em relação às suas acções mais polémicas).



O que acontece é que, tanto sponsors como jornalistas e adeptos, por darem tanto das suas vidas e do seu dinheiro para fazer do desporto o que ele é hoje, sentem-se no poder para mandar nas vidas de quem está dentro de campo. Ou que sabemos mais sobre eles do que eles próprios. Depois da entrevista inicial ao Kevin Durant, ele explicou o porquê de ter tido uma atitude diferente da que costuma ter: 

"My first few years in the league, I was just finding myself. I think most of the time, I reacted based off of what everybody else wanted and how they viewed me as a person. I am just learning to be myself, not worrying about what everybody else says, I am going to make mistakes. I just want to show kids out there that athletes, entertainers, whoever, so-called celebrities, we aren't robots. We go through emotions and go through feelings and I am just trying to express mine and try to help people along the way. I am not going to sit here and tell you that I am just this guy that is programmed to say the right stuff all the time and politically correct answers. I am done with that. I am just trying to be me and continue to grow as a man."

A resposta dos media foi o mais assustador. Atribuíram esta frustração ao facto de Durant estar a ter um ano mau (dizem eles, porque ele voltou a fazer parte do jogo dos All-Stars), ou às lesões, ou a tudo e mais alguma coisa, recusando-se a aceitar a verdade: Durant está farto de ser exposto, de ouvir perguntas idiotas ou vazias de conteúdo, de ser mal interpretado e criticado. Durant foi várias vezes apelidade de "Sr. Inconsistente" pelos jornais, apesar de ter sido titular na equipa de All-Stars 5 anos consecutivos.

Os desportistas, tal como todas as outras figuras públicas que passam por este escrutínio, são tão humanos como nós. Muitos deles começam a ser alvo de críticas duras e intromissões à sua vida pessoal bem antes de terem uma personalidade convicta e uma confiança estável. E dinheiro nenhum no mundo dá a quem quer que seja o poder para limitar a liberdade destas pessoas. É verdade que há interacções positivas entre jornalistas e atletas, adeptos e atletas, e até patrocinadores ou patrões e atletas. Casos em que toda a gente fica a ganhar. Por isso, quando Durant diz que não lhe interessa que perguntas lhe fazem talvez esteja a ser injusto e a prejudicar a sua própria causa. Mas isso é o que acontece quando a frustração e os golpes à liberdade atingem o limite de cada um. Durant fechou-se aos jornalistas.

Kevin Durant foi o MVP da liga na época de 2013-14. Isto é parte do seu discurso de aceitação do prémio:



É claramente um momento emocional e importante na carreira do jogador, e o momento tem um peso quase solene. Mas a frase "You da real MVP", dirigida à sua mãe, passou a piada nas redes sociais. E essa apropriação às vezes tem mesmo piada. Mas outras é só uma exposição gratuita de algo que é considerado uma fraqueza numa estrela. O momento poderia ter ficado para a história como uma demonstração profunda de carinho e emoção, um exemplo para quem admira o jogador, mas acabou em gozo.

"I was like, man, that was a real emotional moment for me, and you making a joke about it! Like: Damn. Y'all don't really believe in shit. You don't have no morals or nothing. You don't care about nothing but just making fun. I was serious as hell saying that, you know what I'm saying?"





quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Simular uma agressão já sai naturalmente

Relacionado com um post que escrevi há algum tempo, vejam este vídeo:



As "fitas" no futebol são uma coisa terrível, se bem que às vezes cómica, e tem de se fazer alguma coisa para as eliminar. Para bem do desporto e pelo respeito que temos aos jogadores.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A regra de "celebração excessiva" na NFL


Para quem não sabe, existe no Futebol Americano uma regra chamada excessive celebration, e que regula exactamente isso: aquilo que a NFL ou a College Football Association (que determina as regras usadas nas universidades americanas e no resto do mundo) consideram ou não excessivo numa celebração de um atleta em campo. No caso do college, por exemplo, qualquer celebração feita antes de o jogador passar a linha final e marcar o touchdown propriamente dito, é uma falta que leva à anulação do touchdown. A regra tem uma carrada de pequenas regras dentro (do género "não se pode fazer isto excepto neste caso") e é completamente idiota.



Este fim-de-semana voltou-se à vaca-fria. Husain Abdullah (defesa dos Kansas City Chiefs) levou uma penalidade por unsportsmanlike behaviour, especificamente por excessive celebration por se ter ajoelhado para rezar depois de ter marcado um touchdown, o segundo da sua carreira. As palavras do árbitro foram: "unsportsmanlike conduct, going to the ground". A regra diz: "Players are prohibited from engaging any celebrations while on the ground"; ainda assim, a NFL admite que rezar não se enquadra nesta regra e que nenhum jogador pode ser penalizado por isso.


O árbitro que assinalou a falta estava bastante próximo de Abdullah (é o árbitro que vemos com os braços no ar a assinalar o touchdown), mas, das três uma, ou não sabe que rezar é uma excepção nesta regra, ou não conhece a excepção, ou antão achou que Abdullah escorregou de joelhos demasiado tempo. Qualquer uma das opções é parva.
Outras coisas que esta regra inclui são: a) use of taunting acts or words that engender ill will between teams; b) prolonged or excessive celebrations, any celebrations while on the ground; c) two or more players engage in prolonged, excessive, premeditated or choreographed celebrations; d) possession or use of foreign or extraneous objects that are not part of the uniform during the game, or using the ball as a prop.

De todas estas, apenas concordo com a primeira sem qualquer excepção. As outras devem ser vistas caso a caso e a única regra que deveria ser aplicada é a do bom-senso. Aquilo que Hussain Abdullah fez não é nem poderia ser, mesmo que não tivesse sido para rezar, unsportsmanlike. Tal como aquilo que acontece no primeiro vídeo também não é nenhuma falta de respeito. Mas ambos os casos são defensáveis do ponto de vista do livro de regras.
Para mim, caberia aos árbitros a decisão em cada situação. Senão as complicações que a quantidade de alíneas e interpretações à regra causam chegam a um ponto absurdo como o deste caso. Tentar tornar mais óbvia a regra acrescentando alíneas e fazendo excepções só trará mais dores de cabeça aos árbitros, jogadores, adeptos e à própria NFL e CFL.



 Bonus level: sketch de Key & Peele sobre excessive celebration.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Petit não é o treinador do Boavista

O verdadeiro treinador do Boavista é Daniel Silva. Esse é que tem o curso de treinador de nível 4, o Petit não passa de um adjunto com nível 2 (ou 3 se já o tiver feito entretanto).
 
Se formos ver Programa Nacional de Formação de Treinadores, o Petit, sendo um treinador de nível 2, pode "preparar, ministrar, rever e avaliar sessões de treino" e "demonstra competências básicas para o treino", mas não pode "planear, implementar, rever e avaliar programas multi-anuais de treino" nem "demonstra competências avançadas de treino, inovação e liderança". Claro que não tem, o Petit não andou a marrar para poder fazer aquilo que faz melhor que é mostrar aos seus jogadores aquilo que devem fazer. "Só o treinador de nível 4 reúne condições para realizar TODAS as tarefas".
 
 
Este documento parece uma piada. Logo no prefácio o ex-secretário de estado da juventude e do desporto, Laurentino Dias, ele diz assim: "Trata-se de reconhecer e dignificar a existência dos treinadores, a quem o desporto Português muito deve, mas que nem sempre são tidos em consideração". Então, ó Petit, não te sentes tão dignificado em nem sequer poderes dar uma flash interview?
 
E continua: "Trata-se de apostar numa das funções essenciais que permitem o desenvolvimento do desporto". Esqueceu-se de mencionar que os cursos de obtenção dos níveis são caríssimos (à volta de 600€ + IVA), e que muitos potenciais treinadores ficam imediatamente assim, em potência.
 
Não tive paciência para ler muito mais porque tudo isto me meteu nojo. A escolha de ter ou não um curso de treinador é dos próprios treinadores; e cabe aos clubes e apenas aos clubes exigirem um curso. Mais ninguém te nada a ver com isso. Eu nem gosto muito do Boavista, mas gostava de vê-los lá em cima este ano e que o Petit nunca faça o curso na sua vida.


Olhem lá para ele a supervisionar o treino com tanta pinta...
Mas na hora de planear estrategicamente, não contem com ele!
 
 
 
 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Bill Russel, 11 vezes campeão da NBA, sobre a homossexualidade no desporto

Bill Russel falou, nas comemorações dos 50 anos do Civil Rights Act, sobre o que enfrentam os atletas homossexuais no desporto de hoje em dia. Além de ser Hall of Famer da NBA e 11 vezes campeão pelos Boston Celtics, Bill Russel foi também um activista importante para o movimento dos Civil Rights.
 
A sua abordagem ao tema é clara e bem feita. Russel compara a situação em que estão os atletas homossexuais com o que os negros enfrentavam há 50 anos. Questões como se um atleta gay pode ser um bom companheiro de equipa ou se vai trazer problemas aos balneários são exactamente as mesmas, mas dirigidas a uma minoria diferente. O que nos dá alguma esperança de que, eventualmente, não fará diferença para adeptos, dirigentes e atletas se um jogador é ou não homossexual. Já não faz, mas eventualmente também não fará de uma forma aberta.
 
 
"Russell said he would have only one question about a gay teammate: Can he play?"
 
 
 
 
Há uns tempos li um livro que mencionava os Implicit Association Tests feitos pela Universidade de Harvard. Estes teste são feitos para medir os nossos preconceitos não ao nível intelectual e racional, mas sim a nossa reacção imediata a um determinado grupo de pessoas (negros/brancos, obesos/magros, mulheres/homens...). Os testes mostram não só que a grande maioria tem preconceitos contra a minoria menos aceite na sociedade - mesmo que façam parte dessa minoria! - mas também que esse preconceito está tão enraizado que nem mesmo treinando várias vezes o mesmo teste a nossa opinião automática vai mudar. Mas houve um aluno da pessoa que escrevia este livro que tinha conseguido, uma única vez, alterar o resultado (de ligeira preferência para brancos para um resultado totalmente neutro). Ele fez o teste imediatamente depois de ver uma jornada dos Jogos Olímpicos, onde os atletas negros estiveram em grande destaque.
 
A entrada dos atletas negros, sobretudo nos EUA, mudou as raízes do desporto. Mas mais importante que isso, também teve os seus efeitos na sociedade. Ao contrário do que vemos todos os dias nos filmes e anúncios de televisão, nos jornais e um pouco por todo o lado, no desporto todas as raças são facilmente associáveis ao sucesso, à emoção, ao poderio físico; todas têm os seus embaixadores.
 
Com os homossexuais, o aspecto do desporto não irá mudar porque ser gay ou não não tem nenhuma vantagem ou desvantagem física. Mas muda muita coisa na maneira como o desporto ajuda uma sociedade a evoluir.
 
Podem ler a notícia inteira aqui.
 
 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Homofobia na NFL

A história de Michael Sam começou mal e acabou ainda pior. Sam tornou-se no primeiro jogador abertamente gay a ser "draftado" para uma equipa da NFL ao ser a 249ª escolha (de 256 jogadores) no draft deste ano. Boas notícias, mas nem por isso. Mike Sam tinha ganho o prémio para Melhor Jogador Defensivo da SEC, uma das conferências mais fortes do Futebol Americano universitário. Dos jogadores que tinham ganho este prémio, apenas 1 tinha ficado fora das 3 primeiras rondas, na posição #148. De todos os jogadores que ganharam este prémio em todas as conferências, apenas 3 ficaram abaixo da 6ª ronda e 75% foram escolhidos na 1ª ou 2ª ronda.
 
Os St. Louis Rams anunciaram que tinha sido uma decisão ligada, apenas, à vertente desportiva. Que nada tinha a ver com o facto de Sam ser gay. As estatísticas de Michael Sam eram fortes e não seria por isso que se afundaria no draft. É verdade que é um jogador baixo para jogar na sua posição na NFL (defensive end) mas nada o impediria de jogar a linebacker, excepto talvez a falta de experiência. Ainda assim, houve jogadores mais baixos do que ele a serem escolhidos acima no draft. Houve kickers e punters escolhidos antes dele (posições de pouca importância no Futebol Americano actual), tal como houve jogadores de conferências menores e com menos experiência a serem escolhidos. Na realidade, parece mesmo que Michael Sam se afundou no draft precisamente por ter assumido que era gay.
 
Se os St. Louis Rams não o tivessem escolhido nessa posição, muito provavelmente nenhuma outra o teria feito. E se isso acontecesse, provavelmente nenhum jogador homossexual teria a coragem de o admitir como Sam o fez, sabendo que provavelmente estaria a arriscar a sua carreira.

de: Jeff Robertson/AP images

Depois de ter feito boas exibições na pré-época dos Rams, Michael Sam não resistiu aos cortes na equipa (de cento-e-qualquer-coisa jogadores para 53, que todas as equipas fazem) e não assinou contrato pela equipa, nem sequer para os 10 jogadores da practice squad. Já no sábado, 30 de Agosto, todas as outras equipas tinham recusado a cedência feita pelos Rams. A equipa continua a afirmar que não foi por causa das distracções nem por problemas de balneário que não contam com Sam; que é uma decisão, novamente, desportiva.
 
A notícia do Bleacher Report sobre o caso resume tudo, desde a culpa parcial dos media no assunto (por terem sobrecarregado o jogador e a equipa com atenção indesejada) até à completa estupidez de não assinar um jogador que demonstrou, mesmo até já durante a pré-época da NFL - a jogar contra equipas da NFL -, as qualidades que Sam tem. Diz Mike Freeman, jornalista que escreve esse artigo:

"O Sam não ter conseguido [entrar na NFL é tão inacreditável] como ver o Abominável Homem das Neves no capô de um OVNI"
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Reformular os desportos

O baseball de hoje em dia é visto, mesmo por quem o segue, como uma das competições mais chatas do mundo. Eu, que papo tudo o que é desporto (eu até vejo os tipos do curling a atirar umas pedras ao longo de um ring de gelo), já tentei ver baseball e sou incapaz. Saiu um artigo curto e directo com 7 maneiras para fazer do baseball um desporto mais watchable, mais espectacular. É interessante ver como algumas das medidas são capazes de tornar o desporto melhor, também, para quem o pratica.

Há outra razões para querer mudar as regras de um desporto. No futebol (e no râguebi) discute-se a introdução das imagens ao vivo para que os árbitros possam ajuizar jogadas mais difíceis com essa ajuda, eliminando-se muitas das polémicas actuais, ou passar os jogos de tempo real para o modelo americano de paragens do relógio sempre que o jogo pára também.

Na NBA já há muito que as imagens televisivas são utilizadas pelos árbitros, mas para melhorar um sistema que, apesar de ser claramente positivo, ainda tem um problema (o tempo que demora a análise), querem que sejam árbitros externos e não os que estão em campo a ajuizar pelas imagens televisivas de modo a que a resposta seja mais rápida.




No futebol americano testa-se, durante esta pré-época, uma alteração à distância do pontapé de ponto extra (de 20 para 33 jardas), uma vez que a marcação desse pontapé se tinha tornado incrivelmente aborrecida e insatisfatória para os próprios kickers, com percentagens de conversão perto dos 100%.

No ténis, a introdução do hawk-eye é precisamente uma das alterações deste tipo: necessidades para que o desporto se mantenha actual, excitante, que acompanhe as melhorias tecnológicas que fazem sentido mas sem exagerar na sua aplicação.


Sistema Hawk-eye
Estas modificações são absolutamente necessárias para que o desporto em questão se mantenha saudável. Quando há uma discrepância entre o que os agentes do jogo poderiam fazer e aquilo que realmente fazem, criam-se as tão conhecidas crispações (quem vê futebol está mais do que habituado a isso, uma vez que a FIFA é dos organismos mais resistentes à mudança) que não têm razão para acontecer.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Dortmund vence Supertaça alemã

Quem me conhece sabe que, desde há dois anos para cá, tenho construído um ódio de estima contra o Bayern de Munique. Nem tem, na verdade, nada a ver com a equipa em si; aliás, sempre gostei deles. Mas a saída de Mario Götze (e agora também de Robert Lewandowski) do Borussia Dortmund para Munique incomodou-me muito. E agora aguardo pelos resultados deste confronto, pedindo sempre para que a vitória vá para Dortmund.


 

A notícia de que o Bayern, por vontade expressa de Pep Guardiola (na altura era ainda futuro treinador da equipa), tinha batido a cláusula por Götze e que o jogador tinha aceite o contrato saiu dois dias antes da meia-final da Liga dos Campeões entre o Real Madrid e o Dortmund. Lançaram-se críticas duras ao clube de Munique por concorrência desleal (o Bayern tem mais ou menos o dobro do budget do Dortmund e faz hábito de contratar os jogadores mais influentes de outros clubes da liga) ou por mau timing no lançamento da notícia.


 

Mas nem é tanto isso que me entristece. Mario Götze entrou para o Dortmund aos 8 anos de idade. Apareceu na equipa principal em 2012 e rapidamente se tornou num ídolo, exactamente no apogeu do clube - venceram dois campeonatos seguidos e atingiram a final da Liga dos Campeões. Poucos clubes no mundo atingiram o patamar de qualidade de jogo e ambiente de balneário a que o Dortmund chegara na altura. O que leva então um jogador como Götze a sair? Um salário melhor, sem dúvida, e a probabilidade de vencer competições mais regularmente. Mas será que não conseguiria fazer isso ficando no Dortmund e aproveitando o bom momento da equipa, um pouco como aconteceu com Frank Lampard e John Terry no Chelsea? Lampard e Terry são históricos do Chelsea, figuras que ficaram no coração dos seus adeptos e que para sempre serão lembrados e referenciados ("lembras-te quando o Lampard fez etc..."). Tenho dúvidas de que isso acontece com Götze e Lewandowski no Bayern.




O Dortmund venceu a Supertaça de 2014 frente ao Bayern de Munique 2-0, ao que parece sem que o Bayern oferecesse grande resistência. Dominou um jogo contra uma equipa de valor superior e onde jogam duas das suas principais figuras dos anos anteriores. Lewandowski (transferido este Verão) foi assobiado, mas não tanto como Götze (transferido já no ano passado). Talvez os feitos que venham a alcançar no seu novo clube supere a dor que será ser assobiado pelos seus antigos fãs, mas talvez não.

 
"Ir atrás do dinheiro mostra o quão grande o teu coração é. Vai-te foder Götze"
 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Segregação entre homens e mulheres no desporto

"I guess my point is, in this day and age, you can see the respect women have from men". Palavras de Nancy Lieberman, primeira mulher a treinar uma equipa profissional de basketball nos EUA. Referia-se aos cada vez mais constantes elogios às ligas desportivas femininas. E tem razão. Sobretudo quem está dentro do mundo do desporto percebe a enorme evolução que tem havido nas competições e na qualidade das equipas e dos valores individuais femininos. E ainda assim, mesmo em quem representa esse respeito, continua a haver uma aura de distanciamento. Elas jogam, literalmente, noutra liga - e não pode haver misturas. O desporto "a sério" é para os homens.

A diferença de força

O argumento principal continua a ser o de que os homens simplesmente são mais capazes fisicamente do que as mulheres. E isso é verdade, mas é verdade em média. O Pablo Aimar, um dos jogadores mais influentes de sempre no Benfica e um dos mais bonitos de ver jogar também, media 1m70 e pesava 60kg. Acho que todos nós conhecemos mulheres com uma capacidade física superior à dele.

Talvez uma mulher não consiga jogar na linha de uma equipa de futebol americano (em média, um jogador de linha da NFL mede 1m93 e pesa 140kg), mas isso não quer dizer que não possa jogar futebol americano. Muitos treinadores da NFL já disseram que as mulheres podem jogar como kickers (cuja única função é chutar a bola e o contacto físico a que está exposto é praticamente inexistente), mas com certeza que existem mulheres com capacidade física para aguentar - e dar - umas valentes porradas noutras posições.

Os atletas paralímpicos têm questões físicas quer perturbam a prática de certas modalidades, e no entanto ninguém pensaria em proibi-los de participar nas ligas principais. Pensem bem no assunto: seria como proibir atletas brancos de participar nas provas de velocidade ou de fundo do atletismo porque as suas capacidades físicas são menores, em médias, que as dos atletas pretos, ou os atletas pretos de participarem nas provas de natação e ciclismo porque são piores que os atletas brancos. Been there, done that.


Pam Reed, Badwater Ultramarathon

As diferenças sem justificação

E se a principal razão para segregar homens e mulheres no desporto tem a ver com a questão da capacidade do corpo, porque razão se separam rapazes e raparigas muito antes de essas diferenças se começarem a sentir? Nos EUA, uma rapariga de 12 anos num torneio sancionado de golfe joga 9 buracos; um rapaz da mesma idade joga 18. Então e como explicar as diferenças e a existência de ligas separadas em desportos onde o poderio físico não interessa para nada? Porque raio é que existe uma liga para mulheres e outra para homens no bilhar? Jogos como o poker, jogos de cartas e videojogos são historicamente competições mistas, mas recentemente, e devido à vontade de serem reconhecidos como desportos a sério, começaram também a segregar géneros.

"É uma questão de igualdade de oportunidades"

A outra razão que se costuma apontar é que, se misturarmos homens e mulheres nas mesmas ligas, uma mulher nunca poderá aspirar a vencer um Grand Slam no ténis, por exemplo, ou a Volta à França. No entanto, vetar as actuais ligas masculinas às mulheres também é igual a dizer a qualquer rapariga que comece um desporto que ela nunca será tão bem paga como um homem, que nunca terá tanta gente a ver os seus jogos e nunca sentirá na pele a atmosfera de competições como, lá está, os Grand Slams ou a Volta à França, o Campeonato do Mundo de Futebol ou a NBA. A verdade é que, actualmente, as competições femininas têm menos adeptos, menos apoios, menos participantes e menos espectacularidade. E isso afasta algumas raparigas que estão a começar porque sabem que dificilmente poderão sonhar mais alto. Se há menos gente a entrar, perde-se competitividade e algumas atletas fantásticas nunca começarão sequer a competir. E se se perde competitividade e qualidade, perdem-se adeptos, apoios, espectacularidade... Vêem onde quero chegar, certo?

Quem entra num desporto entrega-se por várias razões: o gosto pela competitividade, o espírito de equipa, pelas vitórias, mas sobretudo pelo sonho de ser maior, de ser O maior. E esse sonho não existirá para as mulheres enquanto as competições não forem universais.


Danica Patrick, Japan Indy 300


"Então e o balneário?"

Aquela que talvez seja a razão mais defensável, hoje em dia, será a da dificuldade da gestão da equipa com a inclusão de mulheres. A harmonia de uma equipa faz-se da confiança que se tem no tipo que está ao nosso lado e essa confiança só vem da proximidade que temos com essa pessoa. A estranheza de ter uma mulher num mundo que até agora foi de homens poderá afectar o funcionamento do balneário, o à-vontade e o entrosamento da equipa; pode, nalguns casos piores, dificultar essa proximidade necessária. E depois há o escrutínio a que essa equipa estaria sujeita se tivesse "a primeira mulher" de qualquer desporto  E nenhum manager ou treinador quer isso para a sua equipa.

Mas isso só acontece porque não há mulheres a jogar com homens. É a mesma razão pela qual "não há" gays nas ligas profissionais e não havia gays (ou mulheres) no exército. Rapidamente, como tem acontecido entre os militares, essa diferença desaparece. Basta que os dirigentes tenham essa coragem.

Em 1980, Ann Meyers foi a primeira mulher a receber um contrato de uma equipa da NBA. Ganhava 50.000$ anuais (o ordenado máximo na liga feminina era de 20.000$), que ainda assim era bastante menor do que a média na liga masculina - 200.000$. Ann nunca chegou a jogar pelos Pacers. O treinador, Bob Leonard, perguntou-lhe directamente porque é que ela queria causar embaraço para a equipa, dispensado-a na primeira semana de treinos. Segundo os relatos que temos, Ann Meyers nunca teve problemas em acompanhar os homens.


Caster Semenya teve de passar por um escrutínio incrível para provar que podia participar em provas femininas

"Mas então e a diferença de qualidade que está à vista de todos?"

O argumento que geralmente acaba com a discussão é o de que as ligas masculinas são sempre disputadas a nível superior. Nenhum recorde mundial de atletismo masculino foi superado por uma mulher. Nos desportos de equipa e noutros, como o ténis, a diferença de qualidade overall é óbvia. Pois. Mas quantas mulheres existem a praticar esse desporto? E quantos homens? Quanto tempo passaram essas mulheres, sobretudo na fase mais importante que é o início, a praticar e a pensar nesse desporto? Há muito mais coisas que determinam a capacidade que um atleta tem num determinado desporto. A capacidade física é uma delas, mas a imersão nesse desporto - quantidade de tempo investida, motivação pessoal, incentivo externo por parte dos pais, amigos ou treinadores, qualidade e condições dos treinos, etc. - é tão ou mais importante. As mulheres que hoje vemos no desporto tiveram menos incentivos, menos condições e, provavelmente, menos motivação (porque, mesmo que inconscientemente, sabem que não podem sonhar tão alto) para treinarem e lutarem por uma posição no topo.

Eileen McDonagh, psicóloga e co-autora do livro Playing With the Boys, diz mesmo que "estas questões são profecias que se cumprem a si próprias. É mau para as mulheres serem excluídas. O processo de discriminação faz com que mesmo as  mulheres se sintam inferiores". Há ainda o estigma de que uma rapariga que pratique desporto é menos feminina, uma maria-rapaz, ficando ali no limbo que hoje em dia separa um género e outro na juventude e poucas raparigas, ou poucos pais, estarão dispostos a ir contra a corrente.

Há ainda a questão de que os desportos mais jogados no mundo foram inventados por homens e para serem jogados por homens. Pode parecer pouco importante, mas leiam este artigo que fala nesta questão. Esta é uma questão realmente difícil de contornar, uma vez que seria realmente necessário reinventar (ou inventar) desportos que englobassem diferentes tipos de corpo e habilidades (e não só tendo em conta a diferença entre homens e mulheres). O desporto estará, provavelmente, num estado demasiado avançado e complexo para que tal seja possível.

E mesmo assim há mulheres que chegam ao topo. Na equitação (a única modalidade Olímpica mista) as mulheres já foram medalhadas em todas as categorias nos Jogos Olímpicos: em 2004 levaram todas as medalhas da competição individual. No wrestling, uma rapariga venceu um título estadual. No Bowling, Kelly Kulick venceu um Major nos EUA. Danica Patrick já fazia parte dos pilotos dos EUA mais famosos quando venceu o Japan Indy 300. Lynn Hill, na escalada, foi a primeira pessoa a subir em modo free climb uma das mais famosas montanhas nos EUA. Em 1926 Gertrude Ederle foi a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha a nado e bateu o record masculino por mais de duas horas. Pamela Reed venceu a Ultramaratona de Badwater por duas vezes, em 2002 (bateu o homem mais rápido por mais de 4 horas) e 2003; foi também a primeira pessoa a correr 300 milhas sem dormir - o vencedor da Ultramaratona de Badwater de 2004 tentou o mesmo feito por duas vezes e falhou em ambas.


Gertrude Ederle, no Canal da Mancha

"Então qual é a tua solução?"

Manter a separação de ligas não é solução, mas acabar com as ligas femininas terá concerteza o efeito contrário ao pretendido: muitas mulheres, actualmente, não conseguirão acompanhar o ritmo das ligas masculinas e acabarão por desaparecer nas ligas inferiores. Eu defendo uma solução mista.

As ligas principais serão compostas por homens e mulheres. Paralelamente, existirão ligas femininas equivalentes à 2ª devisão ou liga de prospecção disputadas pelas mulheres que decidam não participar nas competições mistas. Isto permitirá às mulheres, desde o início, se querem sonhar o mais alto possível, ao mesmo tempo que podem tomar a decisão de não querer competir com atletas com maior capacidade física. Mas claro que isto seria só o início. As mulheres que poderão entrar imediatamente nas ligas mistas abrirão as portas para que mais mulheres entrem, não só porque serão capazes de provar que o conseguem fazer mas também porque eliminam a estranheza inicial; ao mesmo tempo, as ligas femininas ganharão importância porque serão mais disputadas (estarão cheias de mulheres que querem passar para o patamar superior) e porque serão precisamente ligas de prospecção, competições observadas por olheiros à procura de talento. Eventualmente as raparigas crescerão a pensar mais em desporto e a praticá-lo mais também, sonhando com os lugares mais altos.


Brenda Frese, grávida de gémeos, precisou de uma cadeira para comandar a sua equipa da sideline. Ganharam na mesma.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Rui Costa - Tri-campeão da Volta à Suíça

A Volta à Suíça e o Critérium du Dauphiné são as duas principais competições de preparação para a rainha Volta à França. Mas ao contrário do Critérium, recheadinho de estrelas, a Volta à Suíça não era muito impressionante pelos nomes dos ciclistas presentes. Para além de Rui Costa, bi-campeão desta prova e campeão do mundo de estrada, na Suíça estavam Bauke Mollema (que chegou a ser 2º classificado do Tour de 2013, antes de adoecer) e Tony Martin, mestre das provas de contra-relógio.



Impressionante, sim, foi a maneira como Rui Costa ganhou. O à vontade com que o português venceu, já na última etapa, ao atacar o 2º e o 3º classificados da prova sem sequer se levantar da bicicleta. Confesso que não estava muito convicto da forma física do Rui neste ano, mas esta vitória conquistou-me. Antes desta última etapa, já ele tinha dado bons sinais no contra-relógio da 7ª, onde foi terceiro, à frente do lendário Fabian Cancellara e a apenas 28 segundos do Tony Martin, camisola amarela à altura.

PARA O TOUR

Pela primeira vez desde nem eu me lembro quando, temos um ciclista português que é chefe de fila de uma equipa. No ano passado, lá para o meio da prova, o Rui Costa teve de esperar pelo seu chefe de fila que estava a passar um mau bocado, caindo para fora do top 10 e acabando por terminar a prova em 27º (ainda assim foi isso que lhe deu liberdade para atacar e vencer duas etapas). Este ano isso não vai acontecer e vai ter uma equipa inteira a trabalhar para ele, uma vez que a Lampre-Mérida nem tem outros objectivos, como vencer a camisola dos spinters.

Quando acabou a etapa de hoje, um dos comentadores da Eurosport britânica perguntou ao outro: "Achas que o Rui Costa está preparado para fazer bons resultados numa prova de 3 semanas (leia-se, a Volta à França)?" O outro respondeu que sim.



TELEVISÃO PORTUGUESA

No ano passado fiquei contentíssimo quando todos os jornais desportivos puseram o Rui Costa na capa quando ele venceu a 2ª etapa no Tour, e mais ainda quando meteram o Rui Costa e o João Sousa, campeão do mundo e primeiro português a vencer um torneio ATP, respectivamente. Achei que a coisa podia mudar depois disso, talvez se criasse o ambiente certo para que adeptos e jornais se deixassem apaixonar por outros desportos.

No entanto, hoje, enquanto a Eurosport britânica passava a vitória histórica, o tri de Rui Costa na Volta à Suíça, a Eurosport portuguesa passava o campeonato europeu de Superbike. A TVI 24 transmitiu o Critérium du Dauphiné, mas não a Volta à Suíça. Claro que não acho que alguns desportos são mais importantes só porque gosto mais deles, ou que uma prova é mais importante que a outra só porque tem um português. Mas um atleta nacional com tão bons resultados é sempre um bom embaixador para cada desporto e cá quase nunca se tira o devido proveito disso. Vamos ficando com o futebol.

É verdade que os três maiores jornais desportivos mencionavam na capa do dia seguinte este feito do Rui (juntando-lhe também a vitória no mesmo dia de Tiago Machado na Volta à Eslovénia), mas como de costume esta honra acabará por ser inconsequente, sem haver um aprofundamento do desporto, das competições e dos atletas que dê seguimento às vitórias, acabando por se perder uma óptima oportunidade de dar a conhecer outros mundos que não o do futebol.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pepe vs Muller - sobre o jogo e o teatro

No primeiro jogo do mundial para a selecção nacional, Portugal perdeu por 4-0 com a Alemanha. Nada correu bem para nós, mas o resultado não espelha a capacidade de jogar futebol de ambas as equipas. Acaba, isso sim, por castigar a falta de cabeça (tanto na concentração como na calma que se pede em situação de jogo) dos jogadores nacionais - essa foi a maior diferença entre as equipas.





O momento mais óbvio foi a expulsão de Pepe, e é disso que quero falar. Primeiro, sobre a expulsão em si:
A primeira coisa a dizer é que devíamos chamar as coisas pelo nome delas. O Pepe não deu uma cabeçada no Muller. Tenho visto, tanto nos jornais como na Internet, "headbutt", "cabeçada", "agressão", mas na verdade não foi nenhuma das coisas. Foi uma provocação que foi longe demais, foi anti-desportivo e demonstrou bem a agressividade para lá do que faz parte do desporto com que o Pepe entra em campo. Depois de pensar bem nisso, não tenho a certeza de que a expulsão seja o correcto nesta situação, mas nada disto desculpa a atitude inaceitável de um jogador a jogar a este nível.


Olhando para o outro protagonista do lance, o Thomas Muller, acho que tem a mesma culpa no cartório no que diz respeito a atitudes anti-desportivas: primeiro pela simulação da falta/agressão ainda enquanto o jogo estava a decorrer, e depois porque teve uma atitude tão provocatória como Pepe quando se levanta do chão e promove o incita entre os dois. Acho incrível que ele não tenha visto sequer um amarelo nesta situação; no entanto as regras do jogo parecem estar do lado do árbitro.

O TEATRO NO FUTEBOL

Acontece pelas mais variadas razões. Para fazer uma falta parecer mais grave. Para perder tempo. Para ganhar um penalti. Entretanto isto descambou para atitudes completamente irracionais. É raro não haver uma falta em que um jogador não fique "magoado" e tire uns 30 segundos para massajar a zona dorida. Já vi equipas a ganhar 2-0 a 1 minuto do fim do jogo e mesmo assim atirarem-se para o chão. Porquê?

É simples. Porque deixam. Porque não há nada previsto para lidar com esta questão. A único coisa que o árbitro pode fazer é dar um amarelo a um jogador que simula um penalti ou a outro que está descaradamente (e quase sempre só a 5 minutos do fim) a perder tempo. Exactamente o mesmo a um jogador que tira a camisola para celebrar um golo... 




Eu joguei futebol nas camadas jovens, durante 5 anos. Era guarda-redes. Sempre que me saía a um canto e não agarrava a bola mandava-me para o chão. No meio da embrulhada, era quase sempre falta. Todos nós conhecemos casos em que uma simulação deu penalti ou fez expulsar um jogador e virou o resultado.
Agora jogo futebol americano. No meu primeiro jogo fui placado pelas costas fora de campo (que é falta) e atirei-me para o chão a contorcer-me "com dores". Quando cheguei ao banco, depois dessa jogada, fui repreendido por um dos meus capitães por ter tido essa atitude. "Não voltes a fazer isso", disse-me ele.
É claro que o Futebol Americano é um desporto violento e as simulações terão sempre menor impacto porque a gravidade das faltas é irrelevante. Mas mas esta atitude existe noutros desportos também, sobretudo nos EUA. Conheço algumas pessoas que não nasceram com o futebol "no sangue". E quando falam de futebol, esta é quase sempre a razão principal para não gostarem do desporto. Isso e a falta de intensidade em momentos do jogo (e não é que existe uma ligação entre ambas as coisas?). Porquê esta diferença, então? E como mudar isto no futebol?

1- Em muitos desportos norte-americanos, os árbitros têm acesso live à gravação do jogo e podem tomar decisão com base nessas imagens. Em situações importantes podem sempre consultar o vídeo. Também no futebol isto pode ser aplicado, prevenindo que uma simulação possa alterar um resultado.

2- Pelo menos na NBA e NFL, se for provado que um jogador simulou uma falta para daí obter algum benefício, o clube e o próprio jogador terão de pagar multas.

3- Se o jogo for jogado em tempo real (parando o relógio de cada vez que a bola sai para canto, pontapé de baliza, ou há uma falta), deixa de fazer sentido simular uma lesão para perder tempo.

4- A mentalidade de todas as pessoas envolvidas em desportos em que existem regras contra o "teatro" é completamente diferente. Se cá já é uma vergonha simular uma falta ou perder tempo no final do jogo quando se está a ganhar, sobretudo do ponto de vista do adepto, lá é para toda a gente. Os comentadores não param de falar nisso. Mais importante do que o próprio castigo é o facto de o acto ser mal-visto.

Assim que as entidades oficiais aplicarem regras específicas contra este comportamento, e os comentadores de futebol falarem mais nisto, rapidamente se cria um ambiente em que as simulações serão inaceitáveis. E já vem com atraso.