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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Bill Russel, 11 vezes campeão da NBA, sobre a homossexualidade no desporto

Bill Russel falou, nas comemorações dos 50 anos do Civil Rights Act, sobre o que enfrentam os atletas homossexuais no desporto de hoje em dia. Além de ser Hall of Famer da NBA e 11 vezes campeão pelos Boston Celtics, Bill Russel foi também um activista importante para o movimento dos Civil Rights.
 
A sua abordagem ao tema é clara e bem feita. Russel compara a situação em que estão os atletas homossexuais com o que os negros enfrentavam há 50 anos. Questões como se um atleta gay pode ser um bom companheiro de equipa ou se vai trazer problemas aos balneários são exactamente as mesmas, mas dirigidas a uma minoria diferente. O que nos dá alguma esperança de que, eventualmente, não fará diferença para adeptos, dirigentes e atletas se um jogador é ou não homossexual. Já não faz, mas eventualmente também não fará de uma forma aberta.
 
 
"Russell said he would have only one question about a gay teammate: Can he play?"
 
 
 
 
Há uns tempos li um livro que mencionava os Implicit Association Tests feitos pela Universidade de Harvard. Estes teste são feitos para medir os nossos preconceitos não ao nível intelectual e racional, mas sim a nossa reacção imediata a um determinado grupo de pessoas (negros/brancos, obesos/magros, mulheres/homens...). Os testes mostram não só que a grande maioria tem preconceitos contra a minoria menos aceite na sociedade - mesmo que façam parte dessa minoria! - mas também que esse preconceito está tão enraizado que nem mesmo treinando várias vezes o mesmo teste a nossa opinião automática vai mudar. Mas houve um aluno da pessoa que escrevia este livro que tinha conseguido, uma única vez, alterar o resultado (de ligeira preferência para brancos para um resultado totalmente neutro). Ele fez o teste imediatamente depois de ver uma jornada dos Jogos Olímpicos, onde os atletas negros estiveram em grande destaque.
 
A entrada dos atletas negros, sobretudo nos EUA, mudou as raízes do desporto. Mas mais importante que isso, também teve os seus efeitos na sociedade. Ao contrário do que vemos todos os dias nos filmes e anúncios de televisão, nos jornais e um pouco por todo o lado, no desporto todas as raças são facilmente associáveis ao sucesso, à emoção, ao poderio físico; todas têm os seus embaixadores.
 
Com os homossexuais, o aspecto do desporto não irá mudar porque ser gay ou não não tem nenhuma vantagem ou desvantagem física. Mas muda muita coisa na maneira como o desporto ajuda uma sociedade a evoluir.
 
Podem ler a notícia inteira aqui.
 
 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Homofobia na NFL

A história de Michael Sam começou mal e acabou ainda pior. Sam tornou-se no primeiro jogador abertamente gay a ser "draftado" para uma equipa da NFL ao ser a 249ª escolha (de 256 jogadores) no draft deste ano. Boas notícias, mas nem por isso. Mike Sam tinha ganho o prémio para Melhor Jogador Defensivo da SEC, uma das conferências mais fortes do Futebol Americano universitário. Dos jogadores que tinham ganho este prémio, apenas 1 tinha ficado fora das 3 primeiras rondas, na posição #148. De todos os jogadores que ganharam este prémio em todas as conferências, apenas 3 ficaram abaixo da 6ª ronda e 75% foram escolhidos na 1ª ou 2ª ronda.
 
Os St. Louis Rams anunciaram que tinha sido uma decisão ligada, apenas, à vertente desportiva. Que nada tinha a ver com o facto de Sam ser gay. As estatísticas de Michael Sam eram fortes e não seria por isso que se afundaria no draft. É verdade que é um jogador baixo para jogar na sua posição na NFL (defensive end) mas nada o impediria de jogar a linebacker, excepto talvez a falta de experiência. Ainda assim, houve jogadores mais baixos do que ele a serem escolhidos acima no draft. Houve kickers e punters escolhidos antes dele (posições de pouca importância no Futebol Americano actual), tal como houve jogadores de conferências menores e com menos experiência a serem escolhidos. Na realidade, parece mesmo que Michael Sam se afundou no draft precisamente por ter assumido que era gay.
 
Se os St. Louis Rams não o tivessem escolhido nessa posição, muito provavelmente nenhuma outra o teria feito. E se isso acontecesse, provavelmente nenhum jogador homossexual teria a coragem de o admitir como Sam o fez, sabendo que provavelmente estaria a arriscar a sua carreira.

de: Jeff Robertson/AP images

Depois de ter feito boas exibições na pré-época dos Rams, Michael Sam não resistiu aos cortes na equipa (de cento-e-qualquer-coisa jogadores para 53, que todas as equipas fazem) e não assinou contrato pela equipa, nem sequer para os 10 jogadores da practice squad. Já no sábado, 30 de Agosto, todas as outras equipas tinham recusado a cedência feita pelos Rams. A equipa continua a afirmar que não foi por causa das distracções nem por problemas de balneário que não contam com Sam; que é uma decisão, novamente, desportiva.
 
A notícia do Bleacher Report sobre o caso resume tudo, desde a culpa parcial dos media no assunto (por terem sobrecarregado o jogador e a equipa com atenção indesejada) até à completa estupidez de não assinar um jogador que demonstrou, mesmo até já durante a pré-época da NFL - a jogar contra equipas da NFL -, as qualidades que Sam tem. Diz Mike Freeman, jornalista que escreve esse artigo:

"O Sam não ter conseguido [entrar na NFL é tão inacreditável] como ver o Abominável Homem das Neves no capô de um OVNI"