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terça-feira, 12 de julho de 2016

A ideia errada de que não somos merecedores



Quem me conhece sabe que, de há uns anos para cá, deixei de ligar à selecção. O misto de jogadores pouco merecedores de usar a camisola e de uma histeria generalizada sempre que jogam as quinas foi demais pra mim. E acordei tarde para o que foi a maior noite do nosso futebol.

Por isso, para mim foi fácil ouvir as críticas que faziam à nossa selecção, cá dentro e lá fora, e ir com a maré: que jogávamos mal, que tivemos sorte, que não merecemos ganhar. Pensando bem sobre isso, não podiam estar mais enganados.

É verdade que esta não foi a equipa mais talentosa que apresentámos em palcos internacionais, longe das gerações de Eusébio e Figo (esta última a responsável pela sensação geral de que estamos entre os maiores, quando na verdade temos uma população muito pequena e estamos fora das verdadeiras elites do futebol europeu). A expectativa de que uma equipa deve, em teoria, jogar melhor não pode ser razão para dizer que uma equipa joga mal. Se olharmos para além de Ronaldo, vemos uma equipa composta por jogadores de ligas ou equipas secundárias, novatos nas grandes competições internacionais ou em idade para lá do seu pico de forma. A maneira como jogámos nos últimos anos demonstrou claramente que não nos estávamos a adaptar à realidade de que temos um conjunto com menos qualidade técnica. Foi o Fernando Santos, a quem tiro o chapéu, que percebeu o que tinha de fazer.

Gales e a Islândia fora apontados como os heróis deste campeonato, Portugal foi condenado por jogar demasiado à defesa. Sem desvirtuar todo o mérito dessas duas grandes equipas (cujo caminho segui talvez até com mais interesse do que o nosso), a Islândia teve uma média de 8 remates por jogo e Gales 11,3. Portugal teve 16. Não se pode cunhar uma equipa de defensiva por falhar golos, ou porque estamos à espera que marquem mais. A noção de que fomos uma equipa defensiva é quase tão errada como a de que tivemos sorte em passar a fase de grupos. Quanto muito tivemos azar! Num dia normal, as exibições contra a Áustria e a Islândia teria terminado em goleadas. Teremos tido alguma sorte em ficar, depois da fase de grupos, na metade mais fácil da tabela. Do outro lado, em quase todos os jogos seríamos os favoritos a ir para casa. No último jogo ganhámos a quem ganhou a todos os outros, portanto essa sorte vale o que vale.

Na final sim, jogámos à defesa, mas o que é suposto fazer uma equipa que, aos 25 minutos, fica sem o seu melhor jogador e referência no ataque, sem ter grandes soluções no banco? E desengane-se quem ache que jogar à defesa é jogar mal e que é só ficar ali sentadinho com o estaminé montado dentro da área. É desgastante, é preciso concentração, entreajuda, uma grande capacidade táctica: é preciso uma equipa - e isso é tão difícil de fazer numa selecção com jogadores que jogaram muito pouco uns com os outros. Essa foi a grande obra de Fernando Santos.

Portanto, a ideia de que Portugal jogou mal, à defesa e teve sorte é, no mínimo, dúbia e com provas em contrário. A única coisa que podem apontar é que Portugal não jogou bonito. Mas para isso, a beleza da história desta selecção - desde o passado de muitos dos jogadores, até perder a sua maior estrela durante a final e ser o patinho-feio a marcar o golo da vitória - chega e sobra.











segunda-feira, 11 de julho de 2016

O dia de Portugal



Ontem, dia 10 de Julho, foi um dia histórico para o desporto português. De manhã, Sara Moreira conquistou o ouro e Jéssica Augusto fechou o pódio. O 12º lugar de Dulce Félix garantiu ainda a vitória por equipas.



Depois, no triplo salto feminino, Patrícia Mamona venceu a prova no sexto e último salto, a 14m58, 20cm acima do seu recorde pessoal e nacional. No 5º lugar da mesma prova terminou Susana Costa que, com 14m34, bateu também o seu recorde pessoal.




Mais tarde seria feita história no lançamento, com Tsanko Aranudov a conquistar a primeira medalha de sempre, neste tipo de provas, para o nosso país. 20m59 logo no primeiro lançamento garantiram ao português a medalha de bronze.


Portugal termina o Campeonato Europeu de Atletismo com seis medalhas, três de ouro, uma de prata e duas de bronze, no 7º lugar de entre os 32 países participantes.

Num dia incrivelmente chuvoso nos pirinéus franceses, Rui Costa conseguiu finalmente integrar uma fuga. Tom Dumoulin foi mais forte nesse grupo e cortou a meta 38 segundos antes do português, que bateu Rafal Majka no sprint pelo segundo lugar. Rui Costa é agora 48º na geral, mas o próprio já referiu que a classificação final não é o objectivo para este ano e que vai continuar a lutar pelas vitórias em etapas.


De noite foi a festa que todos conhecem. Portugal é Campeão Europeu de futebol, num dos anos mais improváveis para o ser pelas exibições no percurso até à final. Com Cristiano Ronaldo a sair lesionado bem cedo no jogo e Éder - de todos, foi o Éder! - a coroar uma óptima exibição com o golo da vitória, o caminho desta selecção dará uma boa história.









domingo, 19 de junho de 2016

A festa nas bancadas

Desengane-se quem acha que os adeptos não têm importância num jogo de futebol. Bastariam as estatísticas de resultados em Casa vs Fora para mostrar que isso não se deve apenas à maior ou menor habituação ao terreno e ambiente. Mais importante do que isso, os adeptos que estão presentes contribuem para o sentimento geral da equipa, nesse jogo e nos seguintes - um público que apoia incondicionalmente ajudará a acalmar uma equipa e isso tornará os seus jogadores mais confiantes, enquanto que adeptos mais nervosos e insatisfeitos fazem uma equipa tremer e jogar com ansiedade.

E depois há estes. Não faço ideia de que efeito têm na equipa que apoiam.


O meu top 3:

- You've only scored four / you've only scored four / how shit must you be / you've only score four

- We lose every week / we lose every week / you're nothing special / we lose every week (boa maneira de desmotivar o adversário durante uma vitória)

- We're gonna win 5-4 / We're gonna win 5-4 / We're gonna win 5-4 / 5-4!!!










segunda-feira, 3 de agosto de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Jorges Jesus - o que eu vejo

A história já tem um par de semanas e mesmo assim ainda não parece bem verdade. Acho que só me vai cair a ficha quando o vir nos jornais com o cachecol do Sporting, a treinar jogadores do Sporting, no campo do Sporting. Não quero com isto dizer que estou triste, desesperado, sem querer acreditar que é verdade. É só porque coisas destas só acontecem nas novelas. Eu já devia saber que no desporto também.



A época do Quique Flores foi dos anos em que mais afastado estive do Benfica, em parte porque estive fora do país durante algum tempo, em parte porque jogávamos mal como tudo com uma equipa que, comparando com anos de má memória ainda bem recentes, era boa. Obrigado Quique por nos dares o Maxi, mas serviste para pouco mais. Depois chegou o Jorge Jesus. Mal tinha ouvido falar dele, não andava muito embrenhado no futebol, mas gostei da pinta. Sobretudo porque muitas pessoas acham que um treinador é um gajo bem falante como o Quique, com classe, quando um treinador apenas tem de meter a malta a jogar à bola.

Nunca tinha visto o Benfica a jogar assim, como o fez na primeira época do Jesus. Nunca tinha visto a alegria dos adeptos, ao ponto de perdoarem todos os erros e teimosias do treinador. Foi de tal modo que esse estado de graça aguentou-o durante duas épocas de maus resultados e menos bom futebol. Mas depois disso a paciência da maioria não dava para mais. No ano em que o Benfica à Jesus passou realmente a ser o Benfica à Jesus, com um futebol menos efusivo mas sólido que nem uma rocha, os títulos foram pelo ralo num misto de erros teimosos e mau olhado. Eu estava lá na final da taça, contra o Guimarães, e lembro-me, como se fosse hoje, de duas coisas: do ar triste do Coentrão, que tinha ido ver o jogo, a sair do estádio no seu carrão com toda a gente a pedir-lhe para voltar ao Benfica, e de ter defendido com toda a força a crença em que a continuação do Jesus era o melhor para o Benfica. Ainda bem que o Filipe Vieira achava o mesmo.

Por isso é que é tão estranho o que se passa neste momento. O Benfica é bi-campeão, os adeptos estão do lado de toda a estrutura, a equipa está sólida e não parece que vá ser desmembrada, ao contrário do que se passou nos últimos anos. Finalmente parecia que o Jesus tinha as bases para conseguir um dos seus sonhos: construir uma equipa para ganhar a Champions. Mais do que isso, o Jesus ia ficar na história do Benfica - e de todo o futebol - como um herói se continuasse por muitos e bons anos. Ele estava no topo e continuava a construir para chegar mais alto.

A saída dele é uma machadada grande para o Benfica (só o Luís Filipe Vieira parece achar que não), mas também para o próprio Jesus. O Sporting - pondo de lado o amor que tem ao clube - é o pior casamento para ele: tem uma personalidade exibicionista como presidente, o que vai dar dores de cabeça aos dois; não vai ter dinheiro para construir uma equipa ao seu jeito; a filosofia da equipa é apostar na formação, que é o oposto da filosofia dele; e vai para um clube com muitos problemas estruturais que pioram as condições de trabalho da equipa.

A questão é que não se pode pôr de lado o amor que tem ao clube. Para mim apenas isso (aliado à vontade de revolta contra Luís Filipe Vieira, se as notícias de que o presidente achava que não precisava de Jesus forem verdadeiras e ele soubesse disso) justifica a decisão do Jesus. O Sporting está numa fase má com tendência para melhorar, e imagino que o Jesus se queira transformar na pessoa que devolveu a glória ao seu clube do coração. Se essa for a sua motivação, ninguém lhe pode atirar à cara a decisão, mesmo que venha a ser errada do ponto de vista da sua carreira. Ele pôs-se a si mesmo num lugar que pertencia aos seus sonhos.



Infelizmente para ele, muitos vão passar a vê-lo como o treinador que mudou para o rival. Aquilo que significava para o Benfica mirrou e perdeu força. Agora é apenas um bom treinador, com três campeonatos ganhos e outros feitos, e não um herói do clube. Muitos chamá-lo-ão de traidor, e com razão. Não se traiu a ele próprio, mas traiu quem apostou nele e lhe deu liberdade para ficar na história. Dessa mudança ele não se safa, e irá senti-la todos os dias.





sexta-feira, 6 de março de 2015

Regras do futebol ficam na Idade da Pedra mais um ano




Dia 28 de Fevereiro reuniu-se o International Football Association Board (IFAB) para discutir possíveis alterações às regras do futebol. A saber, estavam em cima da mesa decisões sobre:

- o fim do "castigo triplo" (que é quando um jogador de campo defende a bola com a mão e faz penalti, é expulso e leva uma suspensão),
- a existência de uma quarta substituição se o jogo for a prolongamento,
- o uso de tecnologias para medir a performance dos atletas
- e a existência de substituições flexíveis nas camadas jovens.

Para discussão (ficou logo bem claro que nenhuma decisão seria tomada sobre o assunto) estava também o uso das repetições em vídeo para ajudar os árbitros na tomada de decisões.

Primeiro que tudo: é só isto que têm para discutir num ano inteiro de futebol? Se formos ver a lista de alterações que este organismo fez ao futebol, percebemos que estas não são as pessoas mais proactivas do mundo - 6 alterações, 3 delas à mesma regra. Acho que 4 gajos sentados no café em dia de jogo abordam mais temas do que esta malta. Já agora, o IFAB é composto por 8 pessoas, 4 representantes da FIFA e um de cada uma das ligas britânicas. O voto vale o mesmo para todos e é necessário uma maioria de 3/4 para passar uma lei - que é o mesmo que dizer que se, ou a FIFA, ou os britânicos, não quiserem uma lei, ela não passa. Parece justo.

A decisão mais importante que tomaram foi relativamente ao "castigo triplo", e mesmo essa nem foi bem uma decisão - eventualmente, algures no futuro, esse jogador deixará de ser suspenso. É coisa para não abalar muito o mundo do futebol.

A quarta substituição não será introduzida, porque segundo eles não há razões para o fazer. Quem já viu meia-dúzia de jogos que foram a prolongamento e sabe que a qualidade do jogo cai bastante com a crescente fadiga física. As equipas partem-se ao meio e os defesas só defendem e os avançados só atacam. Há treinadores que decidem guardar uma substituição para o prolongamento, porque muitas vezes esse jogador faz a equipa inteira andar, unindo as duas metades. Mas talvez seja preferível os prolongamentos continuarem a parecer o Solteiros vs Casados do bairro.

A utilização de tecnologia para medir a performance dos jogadores será aceite, desde que a informação não seja usada durante o jogo. Tudo bem.

As substituições flexíveis (ou seja, o mesmo jogador poderá ser substituído e voltar a entrar) nas camadas jovens foram aceites; resta saber em que condições.

Quanto ao caso mais sério, a utilização do vídeo para apoiar os árbitros, ficou em águas de bacalhau. A razão principal para terem adiado a decisão é, justificam, que 1. é uma decisão muito importante para ser tomada de ânimo leve, "the biggest decision ever made in the way football is played" e 2. que precisam de mais informação.

Isto é preguiça ou falta de visão?
1: a biggest decision ever made não é esta, nem de longe. Isto nem sequer altera a maneira como se joga (talvez o teatro deixe de fazer parte do jogo, mas isso é bom!). Antigamente as equipas tinham 20 jogadores, não havia guarda-redes, as balizas não tinham altura máxima, o jogo durava duas horas ou mais e não havia foras-de-jogo. Isso sim foram alterações nos fundamentos do jogo, agora se os árbitros podem ou não fazer melhor o seu trabalho nem devia estar em discussão.
2: se precisam de mais informação vão aos EUA, eles usam isso em vários desportos e de maneiras diferentes, é como ir a um buffet: é só escolher. E se precisam realmente de mais informação, porque é que proibiram a Holanda de usar esse método na taça, quando isso poderia trazer-vos os dados que precisam sem terem de pôr o pescoço em risco (afinal, foram eles que se ofereceram)?

Quem são estas pessoas?


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Simular uma agressão já sai naturalmente

Relacionado com um post que escrevi há algum tempo, vejam este vídeo:



As "fitas" no futebol são uma coisa terrível, se bem que às vezes cómica, e tem de se fazer alguma coisa para as eliminar. Para bem do desporto e pelo respeito que temos aos jogadores.

domingo, 26 de outubro de 2014

Os Jogos do Sério

"Os Jogos do Sério" relata uma busca pessoal pelo desporto mais emocionante à face da terra.

No futuro, vou andar à procura dos melhores desportos do mundo. Para já, faço uma comparação entre quatro dos mais comuns (Futebol, Basketball, Natação e Ténis), para que sirvam de base a esta investigação.

FUTEBOL


Watchability (isto é divertido de ver?): 6
Nisto o futebol varia muito. Há jogos maravilhosos e emocionantes, mas é muito comum ser aborrecido tanto pela quantidade de pau, anti-jogo ou falta de qualidade e inspiração das equipas.

Jogabilidade (isto é divertido e fácil de jogar?): 9
Em Portugal e quase por todo o lado é a modalidade mais acessível de jogar, nem que seja ao fim-de-semana num pavilhão alugado ou na rua com umas mochilas a fazer de baliza, e ainda assim ser um jogo emocionante. Além disso, pode ser jogado por pessoas com tipos de físico diferentes, altos e baixos, magros e caparrudos, homens e mulheres.

Factor cool: 8
Não que o futebol seja cool em si, mas porque o estatuto de alguns jogadores puxa para cima toda a modalidade.

Handicaps: -6
Por valer milhões, há corrupção por todo o lado e isso não é fixe. A preponderância do papel, ou da incompetência, dos árbitros é demasiado pesada no futebol - seria fácil de resolver, mas ninguém está para aí virado. É muito fácil fazer anti-jogo e, quanto a mim, devia ser um jogo de tempo útil (como o basket, por exemplo) e não de tempo real.

FINAL SCORE: 17



BASKETBALL



Watchability (isto é divertido de ver?): 8
Para mim não há nada mais divertido de ver que a NBA. Mas se for o campeonato português, a piada não é a mesma.

Jogabilidade (isto é divertido e fácil de jogar?): 6
Qualquer pessoa pode jogar na escola (tinha um colega de equipa que pesava mais de 100 quilos, isto no 7º ano). Mas para jogar competitivamente, é preciso ser alto, o que automaticamente exclui muita gente.

Factor cool: 8
É uma modalidade exótica o suficiente, em Portugal, para ter um estatuto. E depois há a NBA.

Handicaps: -3
Em Portugal, é difícil de jogar se não for competitivamente, e mesmo aí a modalidade não está muito evoluída. E há a questão da altura.

FINAL SCORE: 19




NATAÇÃO



Watchability (isto é divertido de ver?): 4
Eu não gosto muito de ver natação, porque não vemos os movimentos deles e aquilo parece sempre muito igual. Nos Jogos Olímpicos é sempre mais divertido. A diversidade de modalidades na natação também é um ponto a favor.

Jogabilidade (isto é divertido e fácil de jogar?): 7
Quase toda a gente adora nadar, mas fazer natação é menos divertido. Há pouca liberdade, se compararmos com quase todos os outros desportos, e não encoraja a expressividade individual. Além disso, não há por aí piscinas aos pontapés e costumam ser caras. É menos dado a lesões que a maioria dos desportos. Na natação, é mesmo a capacidade dos atletas que conta - não há interferência de terceiros nem das condições atmosféricas e não há faltas.

Factor cool: 6
O pessoal que faz isto fica com uns grandas ombros, e passam muito tempo de fato de banho.

Handicaps: -4
É um desporto bastante monótono e não é fácil de praticar em qualquer altura ou em qualquer sítio.

FINAL SCORE: 13



TÉNIS



Watchability (isto é divertido de ver?): 9
Os jogos são quase sempre emocionantes porque a cada ponto alguém pode sacar uma pancada incrível. Os movimentos são livres e bonitos de ver e combinam técnica e força. A época do ténis tem vários pontos altos (Grand Slams), que concentram as atenções do público e dos jogadores e nos dão a oportunidade de ir acompanhando os nossos atletas favoritos.

Jogabilidade (isto é divertido e fácil de jogar?): 5
É muito difícil de jogar, sobretudo se não se começar muito cedo, porque os movimentos não são intuitivos. É fisicamente exigente, é caro, e nem sempre é fácil de jogar com quaisquer condições atmosféricas. Por outro lado, as regras estão bastante bem definidas e o uso do hawk-eye veio acabar com muitos dos problemas do piso rápido (a questão nem existe na terra batida).

Factor cool: 8
É uma das únicas modalidades em que as mulheres estão quase tanto em evidência como os homens, o que lhe dá uma aura especial. O circuit também tem uma certa mística: os mesmos jogadores vão-se encontrando em sítios diferentes do mundo.

Handicaps: -2
Continua a ser um desporto elitista.

FINAL SCORE: 20

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O "elogio" de Bruno de Carvalho a Adrien



Eu até acho o Bruno de Carvalho um tipo fixe, e uma das melhores pessoas para estar à frente do Sporting desde há muitos anos. Mas ele não é propriamente sensível. Ao tentar elogiar o Adrien, depois de ter dito que a selecção não tinha jogado um chavo, as palavras que ele usou foram: "parece-me mais do que evidente que o Adrien tem lugar nesta Seleção". Nesta selecção? Ó Adrien, com amigos assim...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Vem aí o uso de repetições nas arbitragens de futebol

A propósito de dois artigos que escrevi (aqui e aqui): Joseph Blatter - que, vá-se lá saber porquê, muito se tem oposto à utilização da tecnologia no auxílio à arbitragem dos jogos de futebol - veio propor que se use um sistema parecido ao do hawkeye no ténis (em que os jogadores ou, no caso do futebol, os treinadores podem recorrer das decisões do árbitro), usando imagens televisivas em directo.
 
Este mesmo sistema começou a ser usado em 1999(!) na NFL. Com os anos de experiência que já têm, seria bom que a FIFA seguisse o exemplo daquilo que por lá funcionou ou não. Em actualizações constantes, já este ano sofreu nova modificação, cujo objectivo é acelerar o processo que demora mais tempo do que seria saudável para o desporto: todos os lances em que é necessária a revisão televisiva são vistos imediatamente por um comité central em Nova Iorque; o árbitro que está nesse Officiating Command Center vê as imagens e ajuíza ainda antes do árbitro principal do jogo (que tem a palavra final sobre qualquer decisão) chegar à cabine. O mesmo método é usado no baseball e discutido para a NBA.
 


 
 
 




sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Benfica ficou pronto a tempo

Começa este fim-de-semana a época de 2014/2015 no futebol e, ao que parece, na altura ideal para o Benfica. As entrevistas dadas pelos três homens fortes do clube, Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Jorge Jesus, têm uma mensagem subjacente comum de que a equipa está pronta.

Primeiro veio a vitória na supertaça que, apesar de ter sido já nos penaltis, acabou por mostrar que na equipa ficou quem precisava de ficar - o treinador e os treinadores de campo - para que o conjunto jogasse da mesma maneira. Depois, Luís Filipe Vieira veio defender a gestão do clube durante este defeso, e bem; as críticas são justificadas na mesma, já que as decisões tomadas parecem não ser as melhores, mas pelo menos existe uma defesa possível.
 
Depois Rui Costa, nalgumas palavras que reúnem o melhor de três mundos - adepto, jogador e dirigente - ao mesmo tempo que confirma a ansiedade dos adeptos descansa-os afirmando que a equipa está preparada para começar a época com a brilhante frase "Não entramos com pontos de atraso"; e Jorge Jesus que parece mais fresco e capaz de dar essa frescura a um sistema de jogo que sempre (e que ainda funciona, mesmo sem algumas das peças do ano passado, como se viu na supertaça) usou e que poderia correr mal por já ser conhecido.
 
O Benfica parece ter ficado pronto a tempo. Na verdade, a única coisa que lhe escapava era a confiança. Sim, a qualidade técnica não será a mesma, mas muitas vezes não é isso que ganha jogos. Se se mantiverem na equipa aqueles jogadores que, não sendo os mais bonitos de ver jogar nem os melhores jogadores "no vácuo", são os fundamentais - Enzo, Luisão - o Benfica parece preparado para enfrentar nova época.
 

 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Dortmund vence Supertaça alemã

Quem me conhece sabe que, desde há dois anos para cá, tenho construído um ódio de estima contra o Bayern de Munique. Nem tem, na verdade, nada a ver com a equipa em si; aliás, sempre gostei deles. Mas a saída de Mario Götze (e agora também de Robert Lewandowski) do Borussia Dortmund para Munique incomodou-me muito. E agora aguardo pelos resultados deste confronto, pedindo sempre para que a vitória vá para Dortmund.


 

A notícia de que o Bayern, por vontade expressa de Pep Guardiola (na altura era ainda futuro treinador da equipa), tinha batido a cláusula por Götze e que o jogador tinha aceite o contrato saiu dois dias antes da meia-final da Liga dos Campeões entre o Real Madrid e o Dortmund. Lançaram-se críticas duras ao clube de Munique por concorrência desleal (o Bayern tem mais ou menos o dobro do budget do Dortmund e faz hábito de contratar os jogadores mais influentes de outros clubes da liga) ou por mau timing no lançamento da notícia.


 

Mas nem é tanto isso que me entristece. Mario Götze entrou para o Dortmund aos 8 anos de idade. Apareceu na equipa principal em 2012 e rapidamente se tornou num ídolo, exactamente no apogeu do clube - venceram dois campeonatos seguidos e atingiram a final da Liga dos Campeões. Poucos clubes no mundo atingiram o patamar de qualidade de jogo e ambiente de balneário a que o Dortmund chegara na altura. O que leva então um jogador como Götze a sair? Um salário melhor, sem dúvida, e a probabilidade de vencer competições mais regularmente. Mas será que não conseguiria fazer isso ficando no Dortmund e aproveitando o bom momento da equipa, um pouco como aconteceu com Frank Lampard e John Terry no Chelsea? Lampard e Terry são históricos do Chelsea, figuras que ficaram no coração dos seus adeptos e que para sempre serão lembrados e referenciados ("lembras-te quando o Lampard fez etc..."). Tenho dúvidas de que isso acontece com Götze e Lewandowski no Bayern.




O Dortmund venceu a Supertaça de 2014 frente ao Bayern de Munique 2-0, ao que parece sem que o Bayern oferecesse grande resistência. Dominou um jogo contra uma equipa de valor superior e onde jogam duas das suas principais figuras dos anos anteriores. Lewandowski (transferido este Verão) foi assobiado, mas não tanto como Götze (transferido já no ano passado). Talvez os feitos que venham a alcançar no seu novo clube supere a dor que será ser assobiado pelos seus antigos fãs, mas talvez não.

 
"Ir atrás do dinheiro mostra o quão grande o teu coração é. Vai-te foder Götze"
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um jogador histórico

"Luisão é um histórico" - Manuel Fernandes Silva durante o relato da Supertaça entre o Benfica e o Rio Ave

É verdade, o Luisão é um histórico do Benfica. Antes dele terá vindo o Rui Costa e eu não me lembro de ter visto jogar com a camisola do Benfica mais nenhum. Sempre achei que era a honra máxima de um jogador de futebol ficar para a história. O Luisão trocou as hipóteses que teve de jogar noutro clube lá fora (e talvez ganhar mais dinheiro) por ficar para a história. Não ficou para a história no Real Madrid e nem sei bem qual é a visibilidade que o Luisão tem lá fora. Provavelmente nunca será escolhido para tirar a primeira bola no sorteio da Champions. Mas, caraças, é um histórico.

Já vi passar tantos jogadores pelo Benfica que também podiam ter ficado para a história. Sobretudo os portugueses, os formados no clube. O Tiago, o Manuel Fernandes, o Fábio Coentrão, o David Luiz (mas esse também é grande noutros sítios), os mais recentes Javi Garcia, Garay ou até o Oblak. Mas preferiram sempre jogar lá fora. Ninguém os pode censurar, claro. Tiveram a oportunidade de jogar nas melhores ligas do mundo, em cenários maiores que os nossos. Mas históricos não vão ser.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pepe vs Muller - sobre o jogo e o teatro

No primeiro jogo do mundial para a selecção nacional, Portugal perdeu por 4-0 com a Alemanha. Nada correu bem para nós, mas o resultado não espelha a capacidade de jogar futebol de ambas as equipas. Acaba, isso sim, por castigar a falta de cabeça (tanto na concentração como na calma que se pede em situação de jogo) dos jogadores nacionais - essa foi a maior diferença entre as equipas.





O momento mais óbvio foi a expulsão de Pepe, e é disso que quero falar. Primeiro, sobre a expulsão em si:
A primeira coisa a dizer é que devíamos chamar as coisas pelo nome delas. O Pepe não deu uma cabeçada no Muller. Tenho visto, tanto nos jornais como na Internet, "headbutt", "cabeçada", "agressão", mas na verdade não foi nenhuma das coisas. Foi uma provocação que foi longe demais, foi anti-desportivo e demonstrou bem a agressividade para lá do que faz parte do desporto com que o Pepe entra em campo. Depois de pensar bem nisso, não tenho a certeza de que a expulsão seja o correcto nesta situação, mas nada disto desculpa a atitude inaceitável de um jogador a jogar a este nível.


Olhando para o outro protagonista do lance, o Thomas Muller, acho que tem a mesma culpa no cartório no que diz respeito a atitudes anti-desportivas: primeiro pela simulação da falta/agressão ainda enquanto o jogo estava a decorrer, e depois porque teve uma atitude tão provocatória como Pepe quando se levanta do chão e promove o incita entre os dois. Acho incrível que ele não tenha visto sequer um amarelo nesta situação; no entanto as regras do jogo parecem estar do lado do árbitro.

O TEATRO NO FUTEBOL

Acontece pelas mais variadas razões. Para fazer uma falta parecer mais grave. Para perder tempo. Para ganhar um penalti. Entretanto isto descambou para atitudes completamente irracionais. É raro não haver uma falta em que um jogador não fique "magoado" e tire uns 30 segundos para massajar a zona dorida. Já vi equipas a ganhar 2-0 a 1 minuto do fim do jogo e mesmo assim atirarem-se para o chão. Porquê?

É simples. Porque deixam. Porque não há nada previsto para lidar com esta questão. A único coisa que o árbitro pode fazer é dar um amarelo a um jogador que simula um penalti ou a outro que está descaradamente (e quase sempre só a 5 minutos do fim) a perder tempo. Exactamente o mesmo a um jogador que tira a camisola para celebrar um golo... 




Eu joguei futebol nas camadas jovens, durante 5 anos. Era guarda-redes. Sempre que me saía a um canto e não agarrava a bola mandava-me para o chão. No meio da embrulhada, era quase sempre falta. Todos nós conhecemos casos em que uma simulação deu penalti ou fez expulsar um jogador e virou o resultado.
Agora jogo futebol americano. No meu primeiro jogo fui placado pelas costas fora de campo (que é falta) e atirei-me para o chão a contorcer-me "com dores". Quando cheguei ao banco, depois dessa jogada, fui repreendido por um dos meus capitães por ter tido essa atitude. "Não voltes a fazer isso", disse-me ele.
É claro que o Futebol Americano é um desporto violento e as simulações terão sempre menor impacto porque a gravidade das faltas é irrelevante. Mas mas esta atitude existe noutros desportos também, sobretudo nos EUA. Conheço algumas pessoas que não nasceram com o futebol "no sangue". E quando falam de futebol, esta é quase sempre a razão principal para não gostarem do desporto. Isso e a falta de intensidade em momentos do jogo (e não é que existe uma ligação entre ambas as coisas?). Porquê esta diferença, então? E como mudar isto no futebol?

1- Em muitos desportos norte-americanos, os árbitros têm acesso live à gravação do jogo e podem tomar decisão com base nessas imagens. Em situações importantes podem sempre consultar o vídeo. Também no futebol isto pode ser aplicado, prevenindo que uma simulação possa alterar um resultado.

2- Pelo menos na NBA e NFL, se for provado que um jogador simulou uma falta para daí obter algum benefício, o clube e o próprio jogador terão de pagar multas.

3- Se o jogo for jogado em tempo real (parando o relógio de cada vez que a bola sai para canto, pontapé de baliza, ou há uma falta), deixa de fazer sentido simular uma lesão para perder tempo.

4- A mentalidade de todas as pessoas envolvidas em desportos em que existem regras contra o "teatro" é completamente diferente. Se cá já é uma vergonha simular uma falta ou perder tempo no final do jogo quando se está a ganhar, sobretudo do ponto de vista do adepto, lá é para toda a gente. Os comentadores não param de falar nisso. Mais importante do que o próprio castigo é o facto de o acto ser mal-visto.

Assim que as entidades oficiais aplicarem regras específicas contra este comportamento, e os comentadores de futebol falarem mais nisto, rapidamente se cria um ambiente em que as simulações serão inaceitáveis. E já vem com atraso.





segunda-feira, 16 de junho de 2014

Nas camadas jovens de futebol

São resultados surpreendentes, mas que se recebem de muito bom grado, sobretudo por serem logo dois no mesmo ano: Braga (sub-19) e Guimarães (sub-17) são os campeões nacionais de futebol desta época de 2013/14. A única vitória de um dos "grandes" foi para o Benfica em sub-15.


É sempre difícil compreender a importância de uma vitória num escalão de formação. Mais ainda do que estamos habituados a ver nas competições de seniores, há interrupções a meio dos campeonatos (por exemplo, o Campeonato Europeu de sub-17 foi jogado antes da fase final do campeonato nacional); há jogadores que saem para jogar no escalão superior; e as equipas são sempre menos regulares que no futebol profissional pela menor preparação psicológica - e às vezes também táctica - dos jogadores.


Para além disso, as camadas jovens têm sempre dois objectivos e é difícil compreender qual deles é mais importante a cada altura: por um lado, aqui procuram-se talentos que venham a integrar as equipas principais e aumentar a sua qualidade a partir de dentro (com menores custos monetários e com a facilidade e a lealdade que se ganha por já pertencerem ao clube); por outro, equipas e jogadores fazem-se da confiança que vem das vitórias, da experiência de ganhar e é necessário não descurar o valor desportivo e pessoal de "ser campeão".


Grande vitória das equipas e de toda a estrutura juvenil de Braga e Guimarães. Apesar de não ter nenhuma ligação especial com nenhuma das equipas, fiquei mesmo contente com os resultados. É sempre mais difícil de captar talentos para quem não está no Benfica, Sporting e Porto, e portanto é preciso trabalhar mais, ter mais vontade. Mostraram que os resultados não vêm do nome da equipa nem das qualidades individuais (por exemplo, os campeões de juvenis do Guimarães não tinham nenhum jogador chamado para o Europeu deste ano, contra os 12 do Benfica que ficou em 2º lugar). Ser campeão depende daquilo que se faz dentro de campo, nos jogos de todas as semanas e nos treinos todos os dias. Parabéns!

LÁ FORA

Este foi um bom ano para o futebol juvenil português também a nível internacional. Apesar de as equipas nacionais não terem conseguido nenhum título, devem destacar-se as presenças nas finais da UEFA Youth League - a Champions dos Juniores - do Benfica e do Campeonato Europeu de sub-17 da selecção nacional; e ainda o apuramento difícil mas bem conseguido da selcção sub-19 para o Campeonato Europeu.